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18.12.07

Carmen Miranda

Maria do Carmo Miranda da Cunha nasceu no Marco de Canaveses, em Portugal, no ano de 1909, mas veio ainda criança para o Brasil com os pais, que tentavam melhorar de vida. De família numerosa (eram ao todo sete irmãos), passou a ser chamada de Carmem quando ainda era uma adolescente, por influência da peça Carmem, de Bizet. Queria ser freira, mas o pai não deixou. Trabalhou ainda como balconista e aprendiz de chapelaria e costureira, para ajudar a família, antes de iniciar sua carreira na música.
Seus pais abriram uma pensão, e Carmem passou a cantar para os fregueses. Mesmo sendo portuguesa, seu sotaque era quase imperceptível, e ela nesse tempo cantava basicamente tangos. Depois que conheceu o violonista Josué de Barros, iniciou sua carreira propriamente dita: ele lhe levou para rádios e conseguiu que gravasse um disco. Daí para o sucesso foi um pulo. Em menos de seis meses já era considerada a maior cantora do Brasil.
Por ser baixinha (1:53) usava sempre salto alto. E por isso ficou conhecida como a pequena notável.
Estreou no cinema em 1932, com o filme “O carnaval cantado no Rio”, e fez no ano seguinte “A voz do carnaval”, de Adhemar Gonzaga. Fez ainda Alô, alô, Brasil (1935); Estudantes (1935); Alô, alô, Carnaval (1936) e Banana da Terra (1939), seu último filme no Brasil, no qual interpretava “O que é que a baiana tem?”. Nesse filme apareceu com o estilo que lhe marcou: vestida de baiana com todos os turbantes e balangandãs que tinha direito. Dançava virando os olhos, com o sorriso aberto e cativante e gesticulando com os braços.
Em 1939 foi morar nos Estados Unidos, contratada por um empresário para fazer diversos shows. Ficou conhecida como a “Brasilian Bombshell”, a explosão brasileira.
De volta ao Brasil, em 1940, foi recebida friamente pelo público e crítica, que a julgaram americanizada. Ela ficou arrasada, cancelou shows e se trancou em casa. Dois meses depois estreava um espetáculo do qual fazia parte “Disseram que voltei americanizada”. Foi a redenção.
No final de 1940, Carmen retornou aos Estados Unidos para fazer vários filmes: Down Argentine Way (Serenata tropical), That night in Rio (Uma noite no Rio), Week-end in Havana (Aconteceu em Havana), Springtime in the Rockies (Minha secretária brasileira), The gang is all here (Entre a loura e a morena), Greenwich Village (Serenata boêmia). No ano seguinte deixava sua assinatura na calçada da fama.
Em 1947 casou-se com o americano David Alfred Sebastian. Aliás, nesse quesito ela sempre foi discreta, com namoros nunca assumidos. Assim, seu casamento, de uma hora pra outra causou um enorme espanto. Bom, o fato é que ele virou seu empresário. Ela chegou a engravidar, mas perdeu o bebê. Sentindo-se triste com este fato (e com o casamento que ia de mal a pior, com o marido explorando ela como nunca) ela dedicou-se totalmente ao trabalho, o que começou a abalar sua saúde: tornou-se uma hipocondríaca, viciada em remédios (tomava para dormir, para acordar...), alguns diziam até que cheirava cocaína, tinha crises constantes de depressão e começou a ter síndrome de palco, tendo que tomar calmantes para se apresentar. Chorava loucamente por tudo.
Em agosto de 1955, depois de se apresentar num programa de tv, ela teve um enfarte fulminante, pouco antes de ir dormir. Seu corpo foi encontrado no dia seguinte, por seu marido. Seu enterro, no Rio de Janeiro, foi acompanhado por uma multidão, que se espremia para dar o último adeus. Tinha apenas 46 anos.
Ao todo, Carmen gravou na R.C.A. Victor, entre 1929 e 1935, 77 discos com 150 músicas. No Brasil, na R.C.A. Victor e na Odeon, ela chegou a gravar 281 músicas.
A pose clássica, com as mãos levantadas e o sorriso cativante ficaram como marcas de brasilidade, uma brasilidade feliz, como americano gosta de ver (e o Brasil gosta de vender). Ela acabou virando um mito, nosso retrato perante o mundo. Impossível hoje olharmos uma baiana e não lembrarmos dela. A portuguesa mais brasileira que já houve. E alguém lembra que ela era portuguesa?

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