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26.12.07

Falaram de Chaplin...

" Repelimos a idéia de um Carlitos-santo. Para os que repetem esta conceituação, apresentamos o Carlitos sádico que joga num poço o velho paralítico de quem tomava conta. Repelimos a idéia de Carlitos-monstro. Também repelimos o Carlitos-tranquilo, ajustado a seus meio e à sua vida. Neste particular, todos os seus filmes evidenciam uma anárquica insurreição contra todos os princípios sociais. Voltamos assim à mesma indagação de M. Bleiman que transcrevemos no pórtico deste trabalho: Quem é afinal Carlitos? Podemos tomar emprestada de Flaubert uma resposta clássica: Charot c'est moi. Carlitos somos todos nós". (Carlos Heitor Cony).

"Acho bastante provável que Chaplin seja o maior gênio do século. Acontece que às vezes ele desconfia disto. Localiza, porém, o gênio no cérebro, com as nobres e tradicionais conotações sugeridas por esse orgão. Nunca poderia compreender e aceitar que sua impressionante carga de gênio estivesse distribuída pelo corpo todo. Como não pode reconhecer a pouca validade de seus laboriosos esforços intelectuais e artísticos no cômputo final da sua criação. Fica assim explicado porque Chaplin nunca saberá que as melhores danças, músicas e poesias do seu tempo estão encarnadas, cristalizadas e dinamizadas nos movimentos elementares e expressões corriqueiras de Carlitos. O instrumental cinematográfico teve apenas a função de criar boas condições de visibilidade para o gesto de Chaplin e assegurar materialmente sua difusão e permanência." (Paulo Emilio Sales Gomes )

"Quando penso em Chaplin, vejo-o sempre sob o aspecto daqueles chinezinhos que riem satisfeitos vendo quão cômicamente as cacetadas da mulher batem na cabeça daquele homem. Pouco importa que a mulher seja a mãe e que o homem seja o pai, assim como pouco importa que ele seja o morto.É nisso que reside o mistério de Chaplin, o segredo de seus olhos. É nisso que ele é incomparável, e é aquo que se encontra a sua grandeza. Ver os acontecimentos mais estranhos, mais dolorosos e mais trágicos através dos olhos do menino que ri. Estar sempre em condições de captar as imagens imediatamente, de um só golpe, independentemente de sua significação ética ou moral, fora de qualquer valorização, fora de qualquer julgamento, fora de qualquer condenação. É aqui que Chaplin se sobressai, porque é inimitável e único." (Sergei Eisenstein)

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