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18.12.07

Lolita:

Essa semana revi Lolita, de Stanley Kubrish, e lembrei-me de algo que li no livro “Contraditório vagabundo”, de Joyce Milton sobre essa obra. Segundo Milton, essa história (na verdade adaptado do livro homônimo lançado em 1955, de Vladimir Nabokov) é baseada no romance de Chaplin e Lita Grey (sua segunda esposa). Vou fazer um resumo do livro e uma comparação ao mesmo tempo:
Humbert Humbert, um escritor, aluga um quarto na casa de uma senhora, Charlotte Haze, e acaba se apaixonando pela filha dela, Lolita, uma ninfetinha de 14 anos (Lita Grey tinha 12 anos quando conheceu Chaplin, e começou a se relacionar com ele aos 14 anos).
No romance, Humbert Humbert (que usa um bigodinho – alusão ao personagem?), gosta de jogar tênis (esporte predileto de Charles) e tem acessos constantes de insanidade (Chas era bem conhecido por seus ataques). Humbert poderia ter qualquer mulher adulta que quisesse, e era um grande conquistador (precisa comparar esse fato?), e na juventude teve uma paixão por uma garota que morreu jovem, que o marcou por toda a vida (Chaplin teve a sua Hetty Kelly, sua primeira namorada que morreu de gripe espanhola, bem jovem ainda). A mãe da Lolita chama-se Charllote (equivalente feminino ao diminutivo Charles em francês – Charlot).
Quando está na prisão, Humbert consulta a biografia de Clare Quilty num livro chamado “Who’s who in the Limelight” (Quem é quem nas luzes da ribalta), e esse título nos remete ao filme autobiográfico lançado por Chaplin, “Luzes da ribalta”, de 1952.
Stanley deu um tom irônico a essa obra de Nabokiv, trabalhando bem o tema da pedofilia (privilegiando mais o lado psicológico do que o sensual). Mesmo assim o filme causou certo constrangimento na época, embora para nós ela apresenta-se de certa forma comportada.
O romance de Charles e Lita foi o mais escandaloso da época. Já conhecido por gostar de lolitas, dessa vez o eterno vagabundo teve que arcar com as conseqüências de um escândalo atrás do outro: Lita o colocou na justiça alegando, entre outras coisas, que era obrigada a prestar serviços, digamos constrangedores para uma moça de família, que ele fazia grandes bacanais na sala enquanto ela dormia em seus aposentos, e que ele a traia loucamente com todas as mulheres que apareciam pela frente. O seu testemunho foi vendido nas ruas e a carreira dele ficou profundamente abalada. Ele ficou com ódio dela até o fim da vida (em sua biografia “Minha vida”, livro com mais de 500 páginas, ele não dedica duas linhas a ela, e quando o faz não cita nome).
Quanto ao livro de Vladimir Nabokiv, é considerado um dos maiores títulos da literatura norte-americana contemporânea. Não é fato assumido por ele ter se baseado na história de Chaplin e Lita, mas há evidências irrefutáveis (que bonito!) de que tem sim algo a ver. E vocês, o que acham?

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