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29.12.07

My Fair Lady



O musical estreou nos teatros em 1956, baseado no livro de Alan Lerner. Mas a história, já tinha sido levada às telas em 1938: Pigmaleão contava com Leslie Howard e Wendy Hiller com os papéis do professor Henry e Eliza.

Para a peça de teatro, a jovem Julie Andrews brilhava ao lado de Rex Harrison, mas para a nova versão cinematográfica, outra atriz, também jovem, mas com maior destaque na mídia, foi escalada para o papel: Audrey Hepburn. Andrews recebera as melhores críticas pelo seu desempenho, tanto na interpretação quanto no que tange a parte musical. Ser substituída por uma atriz verdadeiramente carismática porém sem a voz de Andrews foi de início um problema. Todo o elenco da peça migrou, exceto a Julie, rejeitada sabe-se lá o porquê. Cary Grant foi convidado para fazer o professor, porém negou.

A história, extremamente simples, de uma vendedora de flores muito pobre, que acaba conhecendo um professor de fonética muito inteligente, porém rude. Transforma-la numa lady torna-se uma aposta dele com o coronel Hugh Pickering. Em seis meses ela deve se passar por uma dama, no meio de um baile.

Ao meu ver, Audrey, com uma interpretação sempre tão correta, não consegue entrar na personagem Eliza. Ela como a grosseira vendedora de rosas é somente Audrey tentando ser uma vendedora. Ela como uma dama, é Audrey como uma dama. Sua interpretação realmente não convence, e não nos surpreende que não tenha sido indicada ao Oscar. Tampouco há química entre o Higgins e a Eliza. O casal simplesmente não mostrou uma química, tão necessária em papéis tão delicados, embora Rex brilhe no papel de Higgins.

Os cenários são quase teatrais, as tomadas de cena totalmente. O que dá um ar até mesmo poético, e lindo, e temporal. Na tomada da corrida de cavalos, vemo-lo totalmente em preto e branco. Eliza surge também no mesmo tom, porém com um vermelho no chapéu, o que a torna diferente. A coreografia perfeita dos passos também trazem a áurea de dança e beleza. Mas essa não é a única sequência em que isso é bem trabalhado. Todo o baile também o é. E o figurino é impecável.

Com relação as musicas, são realmente boas. Claro que não estamos falando em musicais quase perfeitos como A noviça Rebelde ou Cantando na Chuva, mas saímos balbuciando pelo menos uma das músicas do filme, o que por si já é um grande desafio. Testes mostram que Audrey gostaria muito de ter cantado, mas infelizmente acabou sendo substituída por uma cantora profissional. A principio ela ficou muito irritada, mas se conformou. Penso que com a voz da Hepburn talvez não tivéssemos o timbre da cantora, mas teríamos a meiguice tão pessoal dela. Foi uma grande perda.

O resultado final foram 8 Oscars, incluindo o de melhor Filme e diretor. Audrey, não concorreu como melhor atriz, mas entregou a estatueta a Julie Andrews, um Oscar que fatalmente ela teria ganhado, tendo feito My Fair Lady ou não.


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