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2.1.08

A propósito da morte de Marilyn



Há casos em que, sem se saber muito bem o motivo, a versão oficial dos factos é automaticamente colocada em dúvida pela opinião pública. O presumível suicídio de Marilyn Monroe é um desses casos. Ninguém se atreve a dizê-lo nos jornais, nem é algo que alguém contemple como possibilidade nas biografias politicamente correctas da actriz, mas muitas pessoas acreditam piamente desde o princípio que a estrela cinematográfica mais famosa de todos os tempos foi assassinada, uma crença que, a julgar pelas provas, não é de todo infundada.

"A bela e loira Marilyn Monroe, símbolo esplendoroso da alegre e emocionante vida de Hollywood, morreu tragicamente no domingo, provavelmente em consequência de suicídio. O seu corpo foi encontrado nu na cama. Tinha 36 anos. A estrela, com um longo historial de perturbações, tinha o telefone na mão. Junto dela, encontrava-se um frasco de soporíferos vazio." Foi com esta nota concisa da imprensa que o mundo se inteirou do trágico falecimento da estrela mais rutilante que alguma vez tinha brilhado no firmamento de Hollywood. Contudo, o que a quase infinita sucessão de artigos e reportagens que se escreveram sobre o assunto nos dias que se seguiram contaram foi um certo número de incongruências que se deram neste caso e que apontavam para uma hipótese muito diferente da de suicídio.

Tomemos como exemplo o caso do agente Lynn Franklin, que durante as primeiras horas daquela madrugada deteve por excesso de velocidade nas proximidades da residência da estrela um luxuoso Mercedes cujos ocupantes eram, nem mais nem menos, que Robert Kennedy, inspector-geral dos Estados Unidos, Peter Lawford, cunhado dos irmãos Kennedy, e o doutor Ralph Greeson, psiquiatra de Marilyn.

Até à data ninguém explicou ainda o que faziam aqueles três singulares personagens tão perto no espaço e no tempo do cenário em que a actriz representava o seu drama póstumo. Talvez a circunstância de ter sido Peter Lawford a última pessoa a ouvir a voz da falecida devido a uma estranha chamada telefónica que, segundo comentou a imprensa, o fez suspeitar de que algo de estranho estava a acontecer em casa de Marilyn, e decidiu intervir prevendo um possível escândalo já que era casado com Patricia, a irmã o presidente Kennedy.

Tão-pouco foi clarificado por que motivo Eunice Murray deu ao longo do tempo quatro versões diferentes do sucedido naquela noite, ou como é possível que um corpo morto há apenas duas horas apresentasse todos os sintomas de rigor mortis, tal como o testemunha Guy Hockett, o funcionário da agência funerária encarregado de retirar o cadáver.

A notícia de que Marilyn Monroe se tinha suicidado abalou Hollywood. No entanto, muitos dos seus familiares não apenas se negaram a admitir essa possibilidade como também viram nisso algo de altamente improvável. O conselheiro e amigo da actriz, Lee Strasberg, fez a dado momento uma estranha declaração ao New York Herald Tribune: "Não se suicidou […] se tivesse sido um suicídio, teria acontecido de outro modo. Para começar, nunca o teria feito sem deixar uma carta. Além disso, há outros motivos indubitáveis que nos permitem pensar que não tencionava pôr fim à vida."

81128 No depósito de cadáveres do Palácio da Justiça de Los Angeles, Marilyn Monroe passou a ser o caso 81128. O responsável pela autópsia foi o doutor Thomas Noguchi, que mais tarde se encarregaria de outros cadáveres famosos como Robert Kennedy, Sharon Tate, Janis Joplin, William Holden, Nathalie Wood ou John Belushi, e seria conhecido como "o patologista das estrelas".

Foram principalmente as incongruências que chamaram a atenção do doutor Noguchi na altura de realizar o exame. Para começar, o corpo apresentava equimoses de vários tamanhos assim como um impressionante hematoma na anca esquerda. Outro facto notável é que o estômago da actriz não continha qualquer vestígio dos presumíveis oito frascos de barbitúricos que tinha ingerido antes de morrer, algo que, unido à ausência de vómito no cenário do acontecimento, converte o caso de Marilyn no suicídio por ingestão de barbitúricos mais estranho da história. No entanto, apesar destas contradições, a análise toxicológica efectuada na segunda-feira 6 de Agosto pelo doutor R. J. Abernethy não deixava dúvidas a respeito da causa da morte: uma sobredosagem maciça de barbitúricos, aproximadamente entre 50 e 80 comprimidos.

O doutor Noguchi não conseguia compreender como semelhante quantidade de fármacos não tinha deixado o menor vestígio no estômago, e assim mandou efectuar uma análise minuciosa aos rins, ao estômago, à urina e aos intestinos. Infelizmente, este exame nunca se chegou a realizar já que as amostras dos órgãos

desapareceram misteriosamente dos laboratórios. Além disso a concentração de pentobarbital e hidrato de cloral no sangue era tão elevada que, se tivesse sido ingerida por via oral, a vítima teria inevitavelmente morrido antes de alcançar tais níveis, o que nos indica que uma tal sobredosagem apenas pôde ser administrada através de uma injecção. As conclusões a que nos conduz este facto são tão óbvias quanto aterrorizadoras: o suicídio de Marilyn Monroe foi cuidadosamente encenado para ocultar algo muito mais grave, um assassinato.

Não foram estas as únicas provas perdidas deste caso. O diário pessoal da actriz desapareceu de uma caixa forte no Palácio da Justiça de Los Angeles. Uma nota rabiscada num pedaço de papel amarrotado que se encontrou sob a colcha de Marilyn e que ao que parece continha o número de telefone de Robert Kennedy, também não voltou a ser encontrada depois de ter sido retirada do cenário do acontecimento.



Por fim, o contador telefónico que continha o registo das chamadas realizadas naquela noite a partir da casa da vítima foi confiscado por uns "homens de fatos escuros e sapatos reluzentes", segundo declarou o encarregado da companhia telefónica. Uma destas chamadas foi a que fez ao seu cabeleireiro, Sidney Guilaroff: "Marilyn estava muito transtornada. Chorava histericamente. Disse que Bobby Kennedy tinha estado em sua casa com Lawford e a tinha ameaçado. Houve uma violenta discussão. Tinha medo. Estava aterrorizada. Tentei acalmá-la." A presumível suicida também telefonou naquela noite a um dos seus antigos amantes, o guionista mexicano José Bolaños: "Marilyn disse-me nessa noite algo que, algum dia, comoverá o mundo inteiro."

O diário de Marilyn Monroe A propósito do diário perdido, é de especial importância o testemunho de Robert Slatzer, um dos melhores amigos da actriz. Slatzer recorda que uns 15 dias antes da sua morte ela lhe telefonou, visivelmente alterada, para se encontrar com ele.

Emocionalmente encontrava-se destruída. Primeiro John Kennedy e de seguida o seu irmão Robert tinham-na seduzido e abandonado sem mais explicações. O desgosto da humilhação tinha-a deixado enlouquecida pela raiva. A dado momento da conversa com Slatzer, ela tirou do bolso um pequeno diário de capa vermelha a que chamava o "seu livro de segredos". Entre outras coisas, nele falava-se dos planos do governo para matar Fidel Castro, de testes atómicos, das relações de Sinatra com a máfia, do movimento negro pelos direitos civis, e de como tinha sido ideia de Bobby Kennedy o retirar do apoio aéreo à baía dos Porcos. Todas estas revelações provinham das suas conversas de alcova com Robert, o menos discreto dos dois irmãos, e segundo o seu amigo, disse que estava agora disposta a convocar uma conferência de imprensa e contar ao mundo quem eram na verdade os Kennedy.

Ninguém sabe até que ponto os Kennedy levaram a sério aquelas ameaças. Mas o certo é que, aparte o já citado "patrulheiro", existem outros testemunhos que situam Bobby Kennedy naquela noite na casa que Marilyn Monroe possuía na Fifth Helena Drive. Elizabeth Pollard era uma vizinha que, na noite de sábado 4 de Agosto, se encontrava a jogar às cartas no alpendre da sua casa na companhia de uns amigos quando um dos seus convidados subitamente exclamou: "Olhem, é Robert Kennedy!" Nenhum dos presentes pôde resistir à tentação de bisbilhotar e viram como o inspector-geral dos Estados Unidos entrava na residência da actriz acompanhado por outros dois homens que não conseguiram identificar.

Por outro lado, Robert Kennedy manteve um intenso interesse acerca de tudo o que se publicava sobre este tema, tal como demonstrado numa nota datada de 8 de Julho de 1964 em que o director geral do FBI, J. Edgar Hoover, comunicava ao inspector-geral o seguinte: "O senhor Frank A. Capell propõe publicar um livro barato de 70 páginas intitulado The strange death of Marilyn Monroe, que sairá a 10 de Julho de 1964. Segundo o senhor Capell, o livro refere a sua suposta amizade com a defunta Marilyn Monroe. Ele afirma que demonstrará neste livro que você e Monroe tinham uma relação íntima, e que você se encontrava na residência da actriz no momento da sua morte. Comunicar-lhe-ei qualquer informação adicional em relação à publicação deste livro."

A ambulância perdida Mas tiveram de decorrer mais de vinte anos até que um novo testemunho lançasse uma nova luz sobre o sucedido naquela fatídica noite. A 23 de Novembro de 1982, o jornal The Globe publicava uma entrevista com o condutor de ambulâncias James Hall, na qual este relatava como na noite de 4 de Agosto de 1962 respondeu a uma chamada procedente da casa da actriz no número 12 305 da Fifth Helena Drive.

O cenário que aí encontrou constituía uma cena dantesca. Marilyn ainda não tinha morrido, mas agonizava sobre o tapete do bungalow de convidados. Segundo Hall, tanto o doutor Greeson como Peter Lawford se encontravam presentes quando ele chegou e, de facto, atribui a morte da estrela à negligência do psiquiatra por não ter intervindo na reanimação que, até àquele momento, progredia positivamente.

Esta declaração foi tremendamente controversa, se bem que mais tarde pôde ser confirmada tanto pelos vizinhos da rua que recordavam ter visto a ambulância estacionada em frente da residência de Marilyn, como por Robert Slatzer, dono da companhia de ambulâncias que, se bem que o tenha negado da primeira vez por medo de perder os contratos governamentais de que dependia a sua empresa, mais tarde não hesitou em corroborar a versão do seu antigo empregado. A declaração de Hall é de importância vital já que demonstra que várias testemunhas principais do caso mentiram para ocultar a presença de Lawford, do dr. Greeson e, muito provavelmente, de Robert Kennedy na casa.

Em 1985, a cadeia de televisão britânica BBC produziu um documentário de investigação acerca da morte de Marilyn intitulado Say goodbye to the President, que incluía entrevistas com as principais testemunhas e personagens implicados. Uma destas era Eunice Murray que, acreditando que a gravação estava terminada, proferiu uma revelação surpreendente que foi registada por um microfone que ainda permanecia em funcionamento: "Com a minha idade, devo continuar a encobrir este caso?"

Quando lhe perguntaram a que se referia, a senhora Murray respondeu que Robert Kennedy tinha lá estado naquela noite e que tinha tido uma discussão extremamente violenta com Marilyn. Aprofundando esta história, o programa de investigação 20/20 da cadeia de televisão norte-americana ABC realizou uma reportagem de meia hora na qual trabalharam os repórteres-vedetas, Sylvia Chase e Geraldo Rivera, e cujo custo de produção ascendeu a várias centenas de milhar de dólares.

No entanto aquilo que foi averiguado pelos jornalistas foi considerado tão desestabilizador que a reportagem foi suspensa pouco antes da sua transmissão, sendo substituída por um documentários sobre cães-polícia.

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