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2.1.08

Sabe quando se realiza um grande sonho?
Nao foi o que aconteceu. Mas quase chegou lá.
Tarde. 4:46, mais precisamente.
O telefone toca e eu recebo a confirmação de que vou ver o "L'Oratorio de Aurelia", neta de Chaplin.
Tenho vontade de gritar, de pular, e comemoro com um sorriso triste, mas explodo de emoção.
Sabe a sensação de que, nunca irei te ver mais senti de perto algo que vem de ti?
Era essa a sensação.
Chovia muito. Odeio sombrinhas. Fui na chuva mesmo.
Roupa preta nessas horas ajuda pq quase ninguém percebe que está molhada.
Corro, mas nem adianta muito: há muito chão e eu já estava molhada mesmo!
Chego em tempo e entro.
Apreensão. Calma. Olho em volta e vejo pessoas que vão ver com curiosidade:
"é a neta de Chaplin, cara!" "O espetáculo foi produzido por Victoria, filha do cineasta!!"
"Quero ver se é só nome, ou se ela é boa mesmo!"
Eu calo. Nessas horas eu sempre calo e espero.
As luzes se apagam, e o palco e eu tornano-mos um só.
Só há uma espectadora, que sou eu.
Quando ela sai da cômoda é somente a neta de Chaplin.
Mas à medida em que o espetáculo transcorre, algo ocorre, e ela torna-se somente Aurélia.
Filha de Victoria, neta de Chaplin, bisneta do dramaturco Eugene O'neil. Mas somente Aurélia.
De linhagem nobre, mas que soma-se aos nomes anteriores, compondo uma sequência de nomes e artes fortes.
Ela dança (lembrei-me dele), faz um número com relógios (lembrei-me dele), utiliza efeitos de certa forma surreais (lembrei-me dele).
Em determinado momento pensei que ficaria toda a noite testemunhando o que via: a platéia (ela ainda estava lá??) fascinada, lembra-se de aplaudir, sai e volta do transe.
E quando menos pensamos (sim, porque o tempo passa...) eis que tudo se acaba.
Fantástico como se propõe a ser.
Eu, cá no meu canto, fico quieta. Não sei se aplaudo ou se sorrio.
Percebo em minhas mãos uma câmera. Não usada. Não lembrada.
Não permitida. Em 80 minutos de espetáculo, lembro-me dela agora.
O momento não mais permite os clicks.
Mas trago registrado em mim, o momento em que vi pela primeira vez um rebento de Charles Chaplin.

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