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2.1.08

West Side History (Amor sublime amor)



Impiedosamente, pingos de chuva castigam o vidro da janela do escritório, ao qual, no momento, sentado estou. Frio — algo fora do tradicional, visto encontrarmo-nos em pleno verão — está.

Gosto dos dias de chuva, do clima triste que ele provoca — é o mais próximo que tenho do inverno, quando em outra estação. O frio marcou de certa forma meu destino. Foi numa tarde fria, chuvosa, de junho, que o grande amor da minha vida partiu. Sem palavras de adeus, sem lágrimas, coisa e tal. Simples tchau, isto após, sairmos de uma sessão no cinema — no hoje, abandonado prédio da XV de Novembro.

Éramos jovens. Ela sonhava com a carreira de medicina. Cura do câncer, salvar vidas. Muitas vidas. Eu — com uma biblioteca repleta pelos clássicos: Fitzgerald, Hemingway, Joyce, dos Passos... —, enquanto de certa forma, levado pelo movimento socialista, procurava mudar o mundo.

Os anos, inevitavelmente transcorreram... O tempo sempre passa — não é esta a regra?

Não mais nos vimos. Não mais nos comunicamos. Isto até, a velha película daquela tarde, nos reunir.

Tarde ociosa aquela. Não havia escrito uma única linha — tenho um livro de contos para entregar, que não está caminhando nada bem — sequer. Dirigi-me ao shopping, a procura de algum clássico perdido.

Inevitavelmente, entre tantos, lá estava: West Side Story (Amor, Sublime Amor), o filme daquela tarde.

Minha trêmula mão, de encontro foi ao DVD. Todavia, outra ágil mão, alcançou-o antes, dizendo:

— Sinto muito, este filme...

Nossos olhos se encontraram. Era ela, novamente.

Sinopse

West Side Story (Amor, Sublime Amor), de 1961, é o senhor musical. Musical com “M” maiúsculo, para ser mais exato — tanto que, faturou dez estatuetas da Academia.

Baseado no clássico Romeu e Julieta, conseguiu algo além daqueles que adaptaram a renomada peça: botou Shakespeare no chinelo.

Duas gangues rivais — os Sharks e os Jets — enfrentam-se constantemente no intuito de possuírem para si, um território no lado pobre da cidade de Nova York.

Ocorre que o ex-líder dos Jets, Tony (interpretado por Richard Beymer), apaixona-se perdidamente pela bela Maria (Natalie Wood — quem pode culpá-lo?), que por sinal, é irmão do líder da gangue rival.

Maria, não resiste aos encantos de Tony. Enfim, a confusão está armada.

O grande lance de West Side Story (Amor, Sublime Amor), é que Jerome Robbins e Robert Wise (diretores), conseguiram com uma tacada de mestre, quebrar o clima pesado que o filme poderia proporcionar. Como isto? Inserindo musicais.

Cenas antológicas podem neste ser vistas. Só para se ter uma idéia: quando ocorre uma briga entre as gangues Sharks e Jets, o que vemos são os membros destas dando saltos, piruetas, dançando no meio da rua, fazendo coreografias — Michael Jackson teve a petulância de aproveitar-se da mesma idéia em Bad. Vocês se lembram?

As canções também são belas. Pequenas melodias, que minutos depois, podem ser facilmente assoviadas.

E os cenários, roupas — tudo de um bom gosto. Algo, só visto assim, em My Fair Lady, de 1964 (outro musical fora do comum).

Le Grand Finalle

— Deus, quanto tempo.

— Realmente.

— Aceitas um cappuccino?

— Se me deixares ficar com filme.

Conversamos muito, muito mesmo.

No final, acabou-me presentiando com o DVD: “uma recordação, por uma tarde inesquecível”.

Pingos de chuva massacram minha janela. E daqui eu penso — com meus grisalhos fios —, por que não poderíamos ter simulado um casamento dentro de uma loja de roupas, como Tony e Maria?

Todo amor é mágico: na vida ou no cinema. Sempre.

Colaboração: Ricardo Steil — Itajaí/SC.


Um comentário:

Pegadas de Pólen disse...

Incrível!
Exatamente neste momento eu acabo de ver o Musical! Com olhos entrelaçados de um amor proibido e lacrimejante.

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