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2.1.08

What Ever Happened to Baby Jane? - O que terá acontecido a Baby Jane -

Duas irmãs, inimigas e ex-estrelas convivem num mesmo ambiente. Não só convivem. Lutam entre si. E o que parece ser certo, o duelo entre o bem contra o mal, acaba revelando nuances que não nos permite decidir quem é quem. Jane Hudson foi uma estrela mirim, aclamada por seu público, mimada pelo pai, e observada de perto por sua irmã Blanche, tão cheia da mesquinhez da irmã mais nova. Devido à complacência de pais que não lhe davam limites, a jovem estrela acabou não crescendo emocionalmente: torna-se uma criança cruel e sádica. Blanche assiste com paciência e um certo desprezo o sucesso de sua irmã. Sua hora chegaria. Anos mais tarde, Jane seria sustentada por Blanche, que faria sucesso no cinema, e tentaria, de alguma forma elevar a carreira já náufraga da irmã Jane... Até que ocorre o acidente em que Blanche, tão amada pelo público, torna-se paraplégica. Agora ela terá que contar com a ajuda de sua odiosa (odiada) irmãzinha Jane.

Jane tornara-se uma velha feia, mal amada e alcoólatra. Talvez não mais responsável por seus atos de crueldade: amarrar a irmã, chutá-la, tirar-lhe o direito de receber o carinho de seu público através de cartas ou flores (que ela rasga ou joga fora). Por não ser mais a criança que cantava e era idolatrada por seu publico, tranca-se em um mundo em que todos um dia irão acordar e perceber que ainda é uma grande estrela mirim.

O terror de Blanche renova-se a cada dia: medo de morrer envenenada, de apanhar, de não conseguir sair viva daquela casa que é sua. Com as forças que lhe restam ela desce a escada e puxa o telefone para si: tentativa de conseguir socorro. Nada feito. Seu destino está nas mãos de Jane.

Tudo acontece de certa forma rápida. O filme conta com uma pulo no tempo: a infância das duas, um breve momento que mostra o sucesso de Blanche já adulta, culminando com o acidente. E a semana fatídica, em que Jane enlouquece de vez. Um dos momentos mais maravilhosos é quando Jane canta (desafinadamente) a música “I’ve weitten a letter to daddy” já velha, mas ainda vestida com roupas infantis e cabelos de cachinhos. Brilhante Bette.

Uma disputa de titãs. De Jane e Blanche. De Bette Davis e Joan Crawford, que tão bem carregaram nos seus papéis e sem exageros (o que seria de se esperar de atrizes sem carga dramática, em papéis tão caricatos). Bette Davis foi indicada para o Oscar de melhor atriz, e ainda disputou com Joan o prêmio da BAFTA. Tão famoso quanto o filme foram os seus bastidores: a imprensa era bombardeada com notícias que reforçavam a rivalidade das duas atrizes (a coca-cola que Bette insistia em tomar, sabendo que Joan era casada com o dono da Pepsi, por exemplo). Fato ou não, o que importa é que jamais se viu tamanha disputa em papéis tão distintos. O que terá acontecido a Baby Jane tornou-se um daqueles filmes em que não há possibilidade de refilmagem digna, posto que não existem mais atrizes com o peso e estrutura de Bette Davis e Joan Crawford. Um filme que talvez fosse logo esquecido, não fossem suas interpretações magistrais.


Um comentário:

Roderick Verden disse...

Filme muito bom, dramático, melancolico... Interpretações magistrais sim!

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