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2.2.08

James Dean — Um Extraordinário Ator Envolto Na Sombra Do Mito


Seis horas da manhã. Um Porche Spyder a toda velocidade — cento e cinqüenta quilômetros por hora —, em uma estrada da Califórnia, choca-se com outro automóvel. O pescoço do motorista — um ator na casa dos vinte e três anos —, quebrado está. Não há muito que se fazer — estirado em uma maca, antes de chegar ao hospital, parte definitivamente.
O mundo em luto chora a morte — daquele ao qual o sábio Warhol, mestre do pop art, definiu como sendo "a bela alma ferida de nossa época". Explícitos são os jornais: um talento ceifado no momento exato da sua ascensão.
Este jovem tem um nome: James Byron Dean. Um garoto — como você e eu —, apaixonado por motocicletas, bebidas fortes e, que perdeu seu grande amor para um outro homem — por toda vida, guardou junto de si, uma mecha dos cabelos dela em um medalhão.

Devido esta infelicidade — e a competente máquina promocional da Warner Brothers —, herdamos a lenda do garoto selvagem, inocente, lutando contra as engrenagens do mundo cruel. E esta, tornou-se referência a todas as gerações quando do mesmo falam. De modo que, seu trabalho como artista, renegado veio a ser ao segundo plano. Uma pena. James — ao contrário do que afirmam seus detratores — era um excelente ator — ao nível de Marlon Brando e Montgomery Cliff, seus ídolos.

Sua filmografia — no sentido de protagonista —, é um tanto modesta. Três conhecidas películas: A Leste do Éden ou Vidas Amargas (1955), Rebelde Sem Causa ou Juventude Transviada (1955) e Assim Caminha a Humanidade (1956). Já em pontas, há dezenas de filmes. Podemos destacar, do período inicial e tanto significativas: Sailor Beware e Baionetas Caladas (1951), Has Anybody Seen My Gal? (1952). Nestes, não há credito em relação ao ator.

Não espere que eu venha a me deter no primeiro filme (Vidas Amargas) — baseado na passagem bíblica de Caim e Abel, no qual, o jovem astro no papel de filho mais novo, luta pelo amor do pai. Tão pouco, especulemos sobre a fama de maldito do segundo (Juventude Transviada) — já que, grande parte do elenco jovem, teve mortes trágicas. Mesmo que, ecoe ainda o tiro dado por Nick Adams na própria cabeça. Ou as cenas de Jean pulando do carro em movimento, sejam as mais conhecidas da história do cinema — idem, a belíssima jaqueta vermelha deste.

Meu desejo é falar, do extraordinário ator envolto na sombra do mito rebelde — que estava preste a interpretar Hamlet na Broadway. E neste quesito — interpretação à flor da pele —, nada melhor do que Assim Caminha A Humanidade (Giant, 1956).

Despido da sua jaqueta vermelha e da brilhantina dos anos 50. James Dean, dá uma aula de interpretação no papel de Jett Rink — um peão de fazenda de gado que se torna dono de terras petrolíferas. E, olhe que, ele tinha que dividir a telona com ninguém menos de Rock Hudson e Elizabeth Taylor.

Sinopse

Estamos no ano de 1923. Um rancheiro texano que atende pelo nome de Jordan ‘Bick’ Benedict (Rock Hudson), ao ver Leslie (Elisabeth Taylor) — filha do proprietário da fazenda Maryland, que fora visitar no intuito de comprar um cavalo premiado —, apaixona-se perdidamente. Ela, idem. Deste início, tenho duas cenas preferidas. Quando há um encontro de ambos na varanda, separados por um pilar. E, na manhã seguinte, quando caminham juntos à uma cerca que os separa do animal premiado, estando obviamente sob olhares curiosos, e um trem apitando ao fundo.

Temos aí, os ingredientes perfeitos para uma história de amor com final feliz. Todavia, logo após o casamento, Leslie e Benedict vão morar no Rancho Reata — propriedade de Jordan, com 600 mil acres de terra —, e a estória se converte.
Benedict tem uma irmã: Luz Benedict II — interpretada por Carrol Baker. Esta, não vê com bons olhos a nova moradora do rancho — deve-se isso, ao amargo que trás consigo, e um misto de inveja contra todos aqueles que um dia vieram a encontrar o amor. Esta inimizade perdurará anos — do que mais gosto, não são as frases em si, mas a troca de olhares, o encontro do espelho das almas das duas atrizes.

Leslie deseja conhecer o rancho. De modo que, Benedict chama um de seus peões Jett Rink para mostrar a cônjuge tudo o que agora lhe pertence. Jett Rink é interpretado por ninguém menos de James Dean. E seu jeito de andar — rude, desleixado —, é o que mostra o quanto ele poderia ter dado ainda ao cinema — e o mesmo vale, para o modo como ele segura o chapéu. Os primeiros sinais do vício do álcool que iriam destruí-lo — o personagem —, não aparecem ainda aqui.
Mas, ao invés de encontrar a beleza, Leslie se depara com a precariedade dos alojamentos em que vivem os trabalhadores mexicanos e suas famílias no Rancho Reata.

Sentados, lado a lado, Jett explica à Leslie, que seu patrão não se importa com aqueles pobres que trabalham para ele, e que, tudo o que ganha — o dinheiro em si —, é reinvestido na pecuária. Os diálogos entre eles são quase sussurrados, o olhar de Jean para o chão e volte e meia para os cabelos da distraída e bela Taylor são incríveis. Outra cena antológica — isto na minha humilde opinião —, é quando Jett a persegue com o olhar, e a vê jogando uma caneca de água fora. Simples, eficiente.

O sentimento de Leslie para com os mexicanos aumenta, tão logo passa a cuidar de um recém nascido de um empregado. Bick não vê com bons olhos isto. As coisas tendem a piorar quando ela decide-se a melhorar a condição de vida daqueles.

O tempo passa. Benedict e Leslie têm dois filhos, mas dia após dia — como muitas vezes na vida real —, o relacionamento dos dois cai num marasmo absoluto. Uma discussão é o ponto final do casamento. Decidida Leslie pega os filhos e parte para Maryland.
Inconformado — e sentindo saudade dos seus —, Benedict vai ao encontro da família. Em sua ausência, a irmã cai de um cavalo, leva um coice e morre.

O inesperado acontece. Benedict II deixa sua parte nas terras do rancho para o peão Jett Rink — como forma de vingança para aquele casamento que nunca aprovou — em seu testamento. Bick diversas vezes tenta em reaver a parte da irmã propondo compra a Jett. Mas, o peão alega que àquelas terras ainda o deixarão rico.

O tempo passa. Certa manhã, Leslie vai a porta do rancho onde Jett vive — agora sua propriedade —, conversam. A vida de Rink há de mudar drasticamente a partir daquele momento. Quando sua ex-patroa sai, acaba por pisar em um barro escuro. Imediatamente, o peão percebe a lama oleosa nos sapatos dela — sim, era petróleo.

Jett consegue dinheiro emprestado e decide perfurar aquelas terras. Outra cena antológica ocorre: James Dean, desesperado lança o chapéu no chão, quando não vê sair o "ouro preto" das bombas. Repare — quando assistires o filme —, no modo, como ele se assusta tão logo um jato de petróleo audível — e visível — se faz. Toma um banho, entra no seu velho carro e dirige-se as terras de Benedict.

Sujo, encontra com Leslie na varanda. Há uma troca de olhares entre eles. Bick aparece e, cheio de ciúmes agride o ex-empregado. Homens o seguram. Rink — bêbado, eufórico — levanta-se: vai ficar rico com seu achado. Passa o anular nos lábios, desce um degrau, e aplica um certeiro de esquerda, e outro no estômago de Benedict. Corre para o velho carro, sai a toda. No fundo, vemos a bandeira americana hasteada. A disputa entre os tradicionais fazendeiros, e os futuros magnatas do petróleo, iniciada é.

O tempo passa, e a previsão de Jett é certeira. Torna-se ele dono da Jettexas Company. Milionário, alcoólatra e ainda rival de Bick. Oposto da vida real — Hudson e Dean eram grandes amigos. Na morte do segundo, o primeiro chorou horas. Na realidade, Giant fez muito mais do que a gente pensa pelo cinema. Criou um laço de amizade entre seus três protagonistas.
Outra grande cena: são as inúmeras bombas de petróleo lado a lado, contrastando com os cavalos apresentados logo no início do filme. E sem falar do figurino ou da trilha sonora.

Mas, não vou estender-me muito na sinopse — visto o filme ter mais de três horas —, é bom deixar que você descubra um pouco por si só.

A Grande Cena — O Ápice de Dean

Como disse anteriormente, James Dean, foi um grande ator. E defendo isto — apesar daqueles contra —, com uma única cena, que vale toda a carreira do jovem astro: os minutos finais de Assim Caminha a Humanidade.

Rink, é agora um multimilionário do petróleo. Está em um salão de festas vazio. Os convidados se divertem do lado de fora. É ali, que magia ocorre.

Dean de cabelos grisalhos, usando um smoking, velho, amargo, trágico, solitário, alcoólatra dormindo na mesa central. Ergue lentamente a face, após ouvir seu nome, pela boca de um garçom. Inicia o discurso que estava prestes a fazer para seus convidados. "Ladys and gentlemans...", sai confusamente daqueles embriagados lábios.

É triste, é comovente, é inevitável não aplaudi-lo.

E quando Jett Rink tomba por sobre a mesa. O mito da jaqueta vermelha por terra cai, e o artista renasce em toda a sua glória. E isto meus amigos, é cinema: arte, pura e simplesmente, arte.


Colaboração: Ricardo Steil

2 comentários:

Carol Luisa disse...

Lindo esse post;) Tbm sempre achei James Dean um ótimo ator.Como o Marlon Brando,foi muito além da beleza.

Carlinha,lembra de mim?eu tava um tempão sem aparecer no Purviance antigo,e qnd volto,dou de cara o endereço da casa nova.Adorei!
Jájá linko o endereço novo lá no meu blog=)

bjs e viva o cinema!!!

classicmovieposters disse...

James Dean muito bom, tambein Brando. Mi portuguez esta no bom!!

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