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19.2.08

Lana Turner — O Destino Bate A Sua Porta





Ocorre sempre — um fato triste, por ser dizer —, muitas pessoas ao longo da nossa vida, acabam por serem esquecidas: a menina que sentava na carteira da frente no seu primeiro ano na escola, aquele amiguinho que morava no final da rua ou a garota com qual dançamos por uma tarde inteira.
Com os astros e estrelas, não é diferente a história.
Culpa talvez da mudança brusca de gerações — você sabe, cada qual tem os seus ídolos. Pais e filhos acumulam décadas os separando —, quiçá uma carreira desigual — um clássico aqui, películas descartáveis acolá.
Uma destas pessoas — e sinceramente, um dos rostos mais marcantes na grande tela —, foi Julia Jean Mildred Frances Turner ou Lana Turner, como ficou conhecida em meados da década de 40.
Lana teve a infelicidade de fazer alguns filmes ruins, e de ter, os olhos do mundo voltados constantemente para os problemas pessoais que a cercavam, não somente para os papéis que protagonizava — Lindsay Lohan passa pela mesma situação neste momento.
Não vou me tardar na vida desta grande atriz, tanto já se falou disso — verdades, mentiras, lendas, tragédias —, gostaria apenas de ressaltar que sua estréia no cinema, veio a ser como figurante no hoje clássico Nasce Uma Estrela (A Star Is Born de 1937) — uma aparição rápida.
Durante anos, miss Turner buscou seu lugar ao sol. Esquecer, Nunca (They Won't Forget, também de 1937) a projetou um pouco, todavia para muitos, continuava sendo somente um rostinho bonito, uma pin-up com ares de colegial. Ou seja, descartável.
Isto até o ano de 1946, quando interpretou a femme fatale Cora Smith de O Destino Bate A Sua Porta (The Postman Always Rings Twice). E do qual, para todo o sempre, deixou impresso seu talento — que infelizmente, não fora depois tão bem aproveitado.

Sinopse

Nick Smith — interpretado por Cecil Kellaway —, é proprietário de um restaurante beira de estrada — como a grande maioria destes nos Estados Unidos, é anexado a um posto de gasolina —, na Califórnia dos anos 30. Casado com a bela Cora Smith — Lana Turner no papel —, certo dia resolve que está mais do que precisando de ajuda. De modo que, coloca um cartaz na janela do seu negócio escrito: Homem Procurado. Nada mais irônico, como vocês logo irão perceber.
Tempos depois, um viajante sem rumo — Frank Chambers, interpretado por John Garfield —, resolve almoçar no estabelecimento de Smith, que continua a procura de um frentista.
A interessantíssima esposa do dono do restaurante, é quem serve o andarilho. Logo o inevitável acontece: vislumbrado pela beleza da jovem — que por sinal, é casada com um homem bem mais velho —, um repentino desejo de permanecer ali, toma posse daquele. De modo que, se oferece para trabalhar no local.
Crente de que fizera um bom negócio, Nick o aceita. Ledo engano, o pior estava por vir.
Frank e Cora logo estão apaixonados. Realmente, a química entre os dois na tela é impressionante — como não tive o privilégio de ver a película no cinema, fico a imaginar a reação do público, quando um close-up de Lana era apresentado. Ou a cena inicial, onde a câmera destaca seus pequenos pés.
Tempos depois, a relação já não pode ser mais mantida no anonimato. Eles poderiam fugir, tentar uma vida nova em outro lugar. Porém, a senhora Smith tem outros planos: quer permanecer ali. Dona do restaurante — Nick é proprietário do posto —, está farta de viver ao lado de um homem pelo qual nada sente, mas não quer perder tudo — entra aqui, mas do que o suspense que impregna, a ação policial que dará gás até o último minuto da estória —, de modo que, propõe então à Chambers que matem seu marido.
Cometido o assassinato, os pombinhos estão livres para ficarem juntos. Todavia, o que vemos é uma série de acusações mútuas e, a desintegração lenta deste relacionamento fardado ao fracasso.
Kyle Sackett (Leon Ames) — que representa o Ministério Público —, tem consigo de que, a morte do senhor Smith fora obra da esposa juntamente com o empregado. Inteligente, mas sem provas, tenta de todas as maneiras persuadir o casal. Isto até o momento em que muda a estratégia, e tenta culpar Cora Smith pelo assassinato — no intuito de vê-la acusar o amante, e com isso, ter ambos em suas mãos.
Durante todo o filme, o que se vê é a famosa caça ao rato — característica principal dos filmes noir.
O casal já não está mais preocupado em permanecer junto, mas sim, de se livrarem a todo o custo do tribunal e da possibilidade de acabarem sendo condenados à pena de morte.
Filme eletrizante, daqueles que prendem o espectador na cadeira — um dos meus preferidos ao lado de The Killers — tratando-se do gênero policial da década de 40. Voltas e reviravoltas ocorrem. Em destaque um acidente de carro. E com este o falecimento de um personagem importante.
Seria Frank, Cora, Sackett ou o próprio Nick Smith que talvez não esteja morto.

Epílogo

Pessoas são esquecidas, eu sei.
Todavia numa manhã de vinte nove de junho mil novecentos e noventa e cinco, toda a impressa mundial pára para se recordar de uma atriz, que após longos anos lutando contra o câncer, vem a falecer.
E por um momento, Lana Turner é mais uma vez lembrada. Não por sua vida errática, mas, por todo o talento que um dia apresentou nas telas ao interpretar: Cora Smith.

Colaboração: Ricardo Steil — Itajaí/SC

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