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17.2.08

A star is Born


Raramente emociono-me com filmes. Mais raro ainda é emocionar-me com um vendo outro. Assisti hoje, A Star is Born, versão de 1937. O filme retrata a ascensão de Esther Blodgett/Vicki Ester ao estrelato, graças a ajuda de um astro em decadência, Norman Maine. A Star is Born, traz uma Esther jovem, sonhando com o estrelato, não sendo levada a sério, até que, incentivada por sua avó, segue em direção a Hollywood. Passando por dificuldades, vendo portas se fechando, e dinheiro acabar-se como acontece com tantos que tentam e voltam apenas com a vontade. Na pensão onde se hospeda, conhece um jovem aspirante a diretor, e tornam-se amigos. Ele consegue para ela uma vaga de garçonete numa festa Hollywoodiana. Vendo aí uma possibilidade de conhecer pessoas, ela segue até lá, interpretando e se mostrando para os diretores enquanto serve canapés. Até que conhece Norman Maine, que fica encantado com a "garçonete" que quer ser atriz. Ele se apaixona por ela e resolve ajuda-la, apresentando-a ao chefe dos estúdios, que faz com ela um teste. Ela passa e estrela um filme com seu descobridor, Norman. O filme de ambos faz estrondoso sucesso, mas a carreira dele vai escada abaixo: a bebida começou a afetar sua interpretação. Apesar disso, os dois se casam. Vicki torna-se uma estrela, e Maine cai no esquecimento, afogando-se cada vez mais na bebida. Ela ganha um Oscar, ele interna-se para se tratar, mas ao sair da Clínica é abordado num bar, e ao ser maltratado por um "velho amigo", volta à bebida mais uma vez. Ao ver que estava prejudicando a carreira da esposa, toma uma decisão difícil, mas que a fará livrar-se dele e voltar-se totalmente para o estrelato.

Nesta versão temos Janet Gaynor e Fredric March nos papéis principais. O filme concorreu a 8 Oscars neste ano, ganhando somente o de Melhor história original, apesar de terem seus astros principais concorrerem ao de melhor atriz e ator. Mas para mim foi impossível ver e não me lembrar de sua segunda versão, a que trouxe Judy Garland de volta às telas em 1954. Comparar cenas, relembrar-me de outras, e verificar que enquanto temos uma boa interpretação de Janet Gaynor, mais comedida e técnica, temos em Judy uma entrega total, uma com forte emoção.

Algo da história foi mudado, o que é natural, pois foram-se quase 20 anos de uma versão para outra, acrescentadas as músicas (no papel destinado a Judy há músicas belíssimas como "The man that got away",que toca quando Maine a encontra no bar, com seus amigos). Emocionaram-me certas cenas, sobretudo àquela em que Maine, já no final do filme, escuta deitado Esther dizer que vai abandonar sua carreira por amor ao marido. Vendo Janet em cena, mais uma vez lembrei da interpretação de Judy para a mesma cena: comovendo-nos, com sua decisão de defender seu amor deixando de lado o seu sonho de sucesso, com lágrimas nos olhos, convencendo-nos que é esta a única opção para a sobrevivência de ambos. E quando vi Maine dirigindo-se para o mar, já tomado da decisão, lembrei-me da ausência da voz usada na cena da segunda versão, cantando para ambos, um canto de dor para o homem, de esperança para a mulher. De emoção para todos nós que sabíamos tragicamente o que viria a seguir.

Não gosto muito de comparações, e evito fazêlas, tratam-se ambas de ótimas versões. As duas histórias são bem desenvolvidas, roteiro de ponta, ótimos diálogos, talvez uma versão estendida demais (porém necessária) em 1954, duas atrizes estupendas e companheiros de cena à altura... mas mesmo assim peco. É quando a memória liga-me uma a outra positivamente, como um complemento. Como se talvez achasse que, se houvesse pelo menos a voz de Judy Garland na primeira versão, pudesse então acha-la imbatível.
Por Carla Marinho

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