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28.3.08

Richard Widmark: uma lenda construída na discrição




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WASHINGTON (AFP) — O ator Richard Widmark, que morreu nesta quarta-feira, aos 93 anos, conheceu a glória no seu primeiro papel no cinema, como um assassino psicopata no clássico "Beijo da morte" (1947).

Considerado uma das lendas de Hollywood, fazendo em torno de 70 filmes sob a direção de prestigiados diretores, sempre conseguiu despistar a mídia e proteger a sua vida privada.

Com os olhos azuis, o louro de sorriso ambíguo parecia, no entanto, demasiado intelectual para o personagem Hathaway, mas foi escolhido a pedido de Darryl Zanuck, dono da 20th Century Fox.

Ator de grande talento, dava profundidade a todos os personagens, permitindo trocar rapidamente de papéis, de vítima em "Sombras do mal" (1950) para o herói de "Minha vontade é lei", de Edward Dmytryk (1959).

Quando seu contrato com a Twentieth Century-Fox acabou, decidiu se tornar um ator independente, para poder controlar melhor sua carreira, um pioneiro neste sentido em Hollywood. Além disso, foi uma das primeiras estrelas do cinema e se tornar famoso na televisão, na série policial "Madigan" (1971).

Democrata convicto, condenava a violência e lamentava a forma com que o cinema americano estava evoluindo, dirigido, segundo ele, "por homens de negócios sem nenhuma dignidade".

Nascido em 26 de dezembro de 1914 em Sunrise (Minesota, norte), Richard Widmark tomou consciência das suas convicções políticas ao atravessar a Alemanha nazista de bicicleta, como parte de uma viagem pela Europa.

Apaixonado pelo teatro, aos 24 anos tornou-se professor-assistente de Arte Dramática na Universidade de Lake Forrest e estreou no rádio antes de fazer sucesso na Broadway, principalmente ao lado Ingrid Bergman "Jeanne d'Arc".

Widmark obteve grande sucesso após sua estréia em "O Beijo da Morte", que lhe valeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, e o Globo de Ouro como Melhor Revelação Masculina. Após isso, passou a gravar um filme após o outro, destacando-se em "Pânico nas ruas" (1950), "O Ódio é cego" (1950), "Anjo do mal" (1953) e "Paixões sem freios" (1955).

Fez ainda "Álamo" (1960) e "Crepúsculo de uma raça" (1964), o seu 50o filme. Estrelou ainda "Assassinato no Expresso Oriente" e (1974) e "As Pedras do Dominó" (1977).

A partir deste momento, passou a fazer participações tanto no cinema quanto na televisão, realizando, em 1991, seu último filme, "A Um Passo do Poder".

O ator morreu vítima de uma longa enfermidade causada pela fratura de uma vértebra, informou sua esposa Susan Blanchard ao jornal New York Times.

2 comentários:

Roderick Verden disse...

Justa homenagem! Ele era bem discreto e tudo indica heterossexual. Susan Blanchard é atriz também, não?
Ótimo texto!

Heri, hodie, cras, cotidie... disse...

Poisé. Eu li no jornal que ele fora das telas era um homem de bem. Muito diferente dos papéis de malvados e de durões que ele atuava. Triste essas quedas para velhinhos nesta idade. A vida senil é assim mesmo...

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