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15.4.08

Cinema é paixão - Astros mirins parte 1

Publicado em 14.04.2008, às 14h38

Sempre que vejo um filme infantil, com crianças atuando, recordo-me de algumas que já passaram pelo crivo anteriormente. E fico imaginando o que terá acontecido com alguns e o que acontecerá com estes. Crescer não é uma situação fácil, crescer na frente das telas, sob os olhares do mundo, cobrando posturas, imagens e modelos, é pior ainda.

A primeira atriz "mirim" que alcançou grande notoriedade foi Mary Pickford, canadense, que realizou filmes como The Poor Little Rich Girl, Stella Maris, Pollyanna, na era do cinema mudo. Mas, apesar de sua imagem angelical, de ter menos de 1:50 de altura e se vestir com trajes infantis, a atriz já tinha quase 30 anos quando fazia papéis de criança. A imagem em preto e branco ajudava. Depois de tantos filmes em que fazia sempre o papel de crianças ou adolescentes, Mary quis inovar e lançar-se como uma atriz adulta. Cortou os cachinhos e fez "Coquette", que foi também seu primeiro filme falado e também rendeu-lhe um Oscar. Sua carreira, porém, não sobreviveria aos "falados", embora Pickford tenha se tornado uma das atrizes mais ricas do cinema mudo.

Mas a primeira grande sensação infantil verdadeiramente, chamava-se Baby Peggy (Margarete Montgomery), uma das mais populares atrizes do cinema mudo, tendo realizado mais de 15 filmes. Todos achavam bonitinha a tentativa da pequena em imitar atrizes como Pola Negra e a própria Mary Pickford. Sua fama, porém, também não sobreviveu a adolescência, e ela retirou-se da vida pública no final da década de 30, devido, em parte, a brigas familiares em torno do dinheiro (fato que vemos acontecer até hoje). Alguns filmes seus foram regravados por Shirley Temple, uma década depois, como "Captain January". Hoje seus filmes são raríssimos de serem encontrados e o que temos dela são somente imagens fotográficas.

Jackie Coogan, o primeiro mega astro infantil, surgiria para a fama depois de ser descoberto no teatro por ninguém menos que Charles Chaplin. Com ele brilhou em "The Kid" (O garoto), o que sucedeu uma série de filmes com a temática parecida. Ele é considerado o primeiro grande star mirim e foi na época um dos mais bem pagos, faturando algo em torno de 4 milhões de dólares até a adolescência, época que também teve que despedir das telas,voltando apenas já velho, em filmes de terror e na série televisiva Família Addams.

O final da década de 30 trazia outro grande fenômeno, Shirley Temple. A garota que todos os pais queriam ter e todas as meninas queriam ser virou febre nos Estados Unidos, estampando roupas, bonecas, cadernos... Shirley, aos 5 anos atuava, sapateava, cantava, dançava e encantava a todos com as covinhas e cachinhos que lhe eram tão marcantes. Alguns filmes de Mary Pickford foram refeitos com ela, como "Miss Annie Rooney", mas seus grandes sucessos foram mesmo "Heidi" e "The blue bird" (O pássaro azul). Shirley teria sido a Dorothy de "O mágico de Oz", mas problemas com contrato fez com que Judy Garland assumisse o papel. Mais uma vez a adolescência chegou, e a atriz retirou-se para uma "vida comum", terminando seus estudos. Ainda fez mais alguns filmes adolescentes, porém a carreira não decolou. Shirley dedicou-se a vida política, posteriormente, tornando-se membro do Partido Republicano e embaixadora, afastando-se definitivamente das telas.

Outro ator que parece ter nascido nos palcos: aos 5 anos já fazia participações em filmes mudos, porém seu boom aconteceu na década de 30, onde se tornou o garoto tipicamente americano foi Mickey Rooney. Ele é um dos maiores atores já visto em Hollywood: ia da comédia ao drama ou musical, e foi um dos poucos que conseguiram ultrapassar a barreira da infância. Durante a década de 40 foi responsável por boa parte das comédias familiares, participando de filmes de entretenimento num período de guerra. Só a série de filmes Andy Hardy (em que ele tinha o nome homônimo) teve 16 episódios, com a participação de atrizes que mais tarde fariam sucesso próprio, como Judy Garland e Lana Turner, dentre outros. Mickey ainda está vivo, e atuando, tornando-se portanto um dos atores com a carreira mais estável. Nada mal para um baixinho, rechonchudo e de certa forma feio. Prova que para alguns, Hollywood não foi vilão de suas vidas.

Semana que vem relembraremos mais alguns atores que têm feito a alegria dentro das telas, embora as suas vidas possam não ter sido um mar de rosas.


por Carla Marinho

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