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8.5.08

Duas Vidas Se Encontram (Holiday Affair)



Noutro dia, estávamos reunidos, na casa de um grande amigo meu — válido é ressaltar que, também grande jogador de pôquer, minha carteira que o diga —, quando começamos a discutir sobre a lista dos cem filmes mais importantes da história do cinema — escolhidos pela Academia, logicamente. Você sabe, não existem listas perfeitas — e que, agradem a todos —, mas, é um tanto triste ver que o meu filme preferido — Casablanca —, veio a ficar em terceiro — isto, nesta nova eleição, feita dez anos depois —, atrás de O Poderoso Chefão. Este meu amigo, indignado estava, porque O Crepúsculo Dos Deuses, não estava entre os dez mais. E um terceiro, porque Curtindo A Vida Adoidado, sequer fora escolhido. “E quanto à Última Hora com Pat O’ Brien? Hein, e quanto à Última Hora?”, insistia.
Cada um de nós tem seus filmes preferidos — tais como livros, músicas —, frutos da nossa vivência e identificação. Mas, entre tantos clássicos, não compreendi — idem meus companheiros de jogo —, porque Duas Vidas Se Encontram, incluso não estava.
Sei que o mundo prefere ver Janet Leigh — nascida Jeanette Helen Morrison — em Psicose — você sabe, dando um grito de pavor no chuveiro. Ou destilando sensualidade em A Marca da Maldade do genial Orson Wells. Mas, não compreendo como a Academia pode dar uma gafe destas, esquecendo da brilhante atuação da célebre atriz ao lado Robert Mitchum, como Connie Ennis e Steve Mason, respectivamente.
Janet Leigh, havia protagonizado alguns filmes — entre eles Words and Music, ao lado de Judy Garland —, quando Howard Hughes — então, proprietário da RKO — fez-lhe uma proposta, para atuar ao lado da maior estrela do estúdio naquele momento Robert Mitchum — meses antes, o jovem ator, lotara sessões com o ágil, e também esquecido O Cais da Maldição —, em uma película que seria lançada no mês de dezembro — um filme natalino, mas, precisamente, intitulado Holiday Affair. Para quem tinha desempenhado uma jovem grávida de um soldado que partira para guerra, e logo depois, acolhida era por um homem casado e infeliz (If Winter Comes, 1948), o papel apresentado não parecia ser um grande desafio — o roteiro escrito fora por Isobel Lennart. Todavia, Leigh descobriria logo depois, o quão enganada estava, quando em cena ela e Mitchum entravam, sob os olhares do talentoso diretor e produtor Don Hartmann. De modo que, viu-se dando tudo de si, desde a primeira à última tomada.

Sinopse

Logo após, a morte do seu marido na Segunda Grande Guerra, Connie Ennis (Janet Leigh), vê-se sozinha em um mundo machista, no qual o papel da mulher é relegado a um quase nada. Dia após dia, ela vê-se lutando para colocar um pouco de comida na mesa e, para não deixar nada faltar — pelo menos o básico —, para seu filho Timmy (Gorden Gebert).
A vida de ambos prossegue, isto é, até meados de dezembro, quando o menino pede-lhe um presente de Natal: um trem elétrico que vira em uma loja no centro da cidade. Este é um dos pontos altos do filme, o olhar de Connie para o filho, sabendo que não havia meio de comprar o presente, e sem forças para dizer-lhe que não. E os seguidos: por favor, mamãe, por favor, vindos da criança. Entrecortados, pelos lábios trêmulos da jovem atriz, e as lágrimas que teimosas, queriam vir à face. Só uma mãe, para suportar tudo aquilo, em silêncio.
Tempos depois — tendo ainda, o pedido do menino, em mente —, a viúva dirige-se a loja onde o trem elétrico na vitrine está. E quem poderia vir atender-lhe senão Steve Mason (Robert Mitchum).
O preço do brinquedo, realmente é inacessível para ela. De modo que, se vai, com o coração partido. Mason, também fica com o mesmo dilacerado — mas, pela partida da moça.
Seus caminhos, logo vão cruzar-se novamente. Ela ainda busca um meio de comprar o brinquedo, enquanto o jovem apaixonado, desde aquele dia, desempregado está. Outra grande cena é quando na sala de estar, Steve segura uma foto de Connie ao lado do falecido marido, e ela o fita, toda sem jeito.
Um provável beijo, interrompido é, pela presença de Wendell Corey — rival na luta pelo amor de Ennie —, mas diferente daqueles que estamos acostumados a ver, este não é invejoso, tão pouco mesquinho — deseja vê-la feliz —, mas é claro, feliz ao seu lado.
Entre encontros e desencontros a vida deles tende a se encontrar. Mas, não cabe a este que vos escreve, detalhar como isto há de ocorrer, nem as outras adversidades que os mesmos enfrentaram até o final do filme que um dia a Academia e o mundo resolveram esquecer.

Colaboração: Ricardo Steil — Itajaí/SC.

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