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8.8.08

Carmen Santos


A nossa mais famosa Carmen é a Miranda. Mas antes dela, uma outra portuguesa, sob o mesmo nome, aportou por nossas terras e teve seu nome escrito, de forma decisiva no nosso cinema nacional: Carmen Santos. Uma pioneira. Nos tempos em que as mulheres não tinham direito a voto, ela foi atriz, produtora, diretora e roteirista.

Maria do Carmo Santos Gonçalves nasceu em Vila Flor, em Portugal, em 08 de junho de 1904, e veio para o Brasil ainda criança, aos 08 anos. Sua estréia no cinema deu-se em 1919, com o filme Urutau (ou Eterna História), de Willian Jansen. Tinha 19 anos.

Em 1933 fundou juntamente com o marido a Brasil Vox Film, que em 1935 tornaria-se a Brasil Vita Filme. Seguem-se “A carne” e “Mademoiselle cinema”, de Léo Marten. Infelizmente não foram filmes comerciais, tendo sido vistos apenas por poucas pessoas. Sina do cinema nacional?

Um dos poucos registros seus é o filme Sangue Mineiro (1929), de Humberto Mauro. Com ele, Carmen produziu alguns clássicos, como “Favela dos meus amores”, “cidade-mulher” e “Argila”, onde interpretava e produzia.

Em 1934 começa a produzir seus filmes, no seu estúdio “Brasil vita filme”. Como produtora lança documentários e “Favela dos meus amores” e “Cidade mulher”, em que também atua.

Mas sua maior obra seria o filme “Inconfidência mineira”, onde ela desejava reproduzir para as telas o grande acontecimento brasileiro. Seriam quase 10 anos de produção, em que Carmen atuou, produziu, dirigiu e escreveu todas as cenas.

Neste filme, Carmen atuou, produziu, dirigiu e escreveu todas as cenas. O filme levou 11 anos de produção, mas mesmo assim tornou-se um grande fracasso de bilheteria. Hoje não temos registros, pois aparentemente nenhuma cópia chegou até nossos dias. Apesar disso tudo, e de sua personagem Bárbara Heliodora ser marcante, o filme foi um grandicíssimo fracasso, o que acabou provocando a falência do estúdio da atriz. Nos anos 50 ela teve que vendê-lo para a Herbert Richers, e hoje em dia os estúdios pertencem a Rede Globo.

Em 1952 sairia seu último filme, “O rei do samba”, com a direção de Lulu de Barros. Nesse mesmo ano Carmen morre com apenas 48 anos. Há um documentário sobre sua vida, de 1969, dirigido por Jurandyr Passos Noronha, mas nunca tive a oportunidade de ver. Dela, só vi o seu mais famoso, “Sangue mineiro”. Gostaria de ter acesso a mais filmes, mas, infelizmente, o Brasil parece mesmo ter pouca memória.

Para ler: Carmen Santos e o cinema dos anos 20, de Ana Pessoa

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