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15.8.08

Musicais parte 2 - Os grandes dançarinos

Os filmes musicais devem muito a Fred Astaire. O fraque, o chapéu e a elegância eram suas marcas registradas, além de seu perfeccionismo: ele era capaz de passar dias e até meses inteiros ensaiando uma única coreografia, sempre em busca de novos passos e novidades. Sua carreira iniciou-se aos 05 anos, ao lado da irmã Adele, com quem fez par durante um bom tempo. A dupla se desfez quando ela casou-se e ele estreou no cinema em 1933 no filme "Dancing Lady", mas o sucesso veio mesmo quando ele passou a dividir a cena com Ginger Rogers, com quem fez 10 filmes. Apesar de não se darem bem pessoalmente, a parceria era imbatível. Além de Ginger Rogers, ele dividiria o palco com grandes mulheres como Rita Hayworth, Judy Garland, Joan Crawford, Cyd Charisse e Jane Powell. Nada mal para um baixinho magro, feio e ligeiramente calvo. No fim, o homem era tão bom que parecia fazer dançar bem até mesmo objetos inanimados. Quanto a isso, Astaire era um dançarino generoso, pois parecia fazer qualquer um, eu digo, qualquer um transformar-se em um dançarino. Assim, dividiu o palco também com um cabide, subiu pelas paredes literalmente (Royal wedding) e até dançou com sapatos (The barkleys of Broadway). Astaire atuou em mais de 40 filmes, coreografando espetáculos, gravando 18 discos (trilhas sonoras) e ganhando um Oscar honorário em 1950, por sua contribuição ao mundo dos espetáculos. Hoje é considerado o maior dos dançarinos do século XX.

Mas Astaire não reinaria sozinho. Assim como seu colega, Gene Kelly iniciou sua carreira também no teatro, ainda criança, ao lado dos irmãos. Adorava esportes, o que veio a refletir em sua carreira futura, pois ele acabou sendo conhecido não apenas como dançarino, mas pelas suas acrobacias, denotando um estilo mais jovial do que o empregado por Fred Astaire. Estreou no cinema com "For me and my Gal", fazendo par com Judy Garland, seguido por algumas participações sem grande importância, até que foi emprestado para a Columbia Pictures, para estrelar Cover Girl, ao lado de Rita Hayworth. Depois disso a MGM nunca mais o emprestaria para outros estúdios. Ele não se poupava, e gostava de experimentar coisas novas, quebrando regras (e às vezes também ossos), insistindo em fazer cenas mais difíceis, voando nos cenários, subindo em árvores, muros, voando entre cortinas, descendo por canos. Com isso se converteu num dos maiores símbolos dos musicais dos anos 50. Entre seus maiores sucessos estão "Um americano em Paris" (também conhecido como Sinfonia de Paris), "Brigadoon", "Marujos do Amor", "Um dia em Nova York" e naquele que é considerado o maior musical de todos, Cantando na chuva. Gene aposentou-se na década de 80, mas ainda fez trabalhos esporádicos como coreógrafo, em um deles para Madonna, em sua turnê de 1993.

Outro grande dançarino, porém pouco reconhecido, foi Donald O'connor. Estreou em 1937, mas só ficou conhecido mesmo como companheiro de cena de Gene Kelly em "Cantando na chuva" com seu número Make in Laugh (uma releitura de um número feito por Judy Garland e Gene Kelly no filme O pirata), em que ele além de cantar fazia uma coreografia muito louca, com passos, saltos e piruetas. Bom, o resultado foram alguns dias de repouso para recuperar-se da seqüência, já que ele acabou se machucando muito na sequência. Donald trazia a experiência acumulada nos palcos da vaudeville. Aos 12 estreou no cinema, em "Melody for two" (mas sua parte foi cortada), e em seguida em "Sing you sinners" (1938). Fez alguns musicais considerados de segunda até que, em 1949 conseguiu seu primeiro papel de destaque em "Francis the talking mule" (em que conversava com uma mula, deixando mostrar que sua veia cômica chamava a atenção das crianças). Após esse trabalho ele fez ainda o papel principal de "I love Melvin" (1953), além de !Call me Madam" e "There's no business like show business". Estrelou como Buster Keaton na biografia "The Buster Keaton story", mas acabou abandonando a carreira ainda na década de 70, apesar de algumas participações em alguns programas de TV e filmes de baixo orçamento. Apesar de suas últimas palavras terem sido "Gostaria de agradecer à Academia por meu prêmio pelo conjunto da obra que um dia eu eventualmente receberei", jamais recebeu nenhuma indicação ou premiação do Oscar.

E elas... Cyd Charisse é conhecida como a atriz das mais belas pernas do cinema, tendo assegurado elas em US$ 5 milhões na época. Participou dos maiores musicais, fazendo parceria com Gene Kelly, em "Cantando na chuva", e com Fred Astaire em "Roda da fortuna", e de outros de sucesso em "Party girl", onde fez um papel dramático. A formação de Cyd era erudita, era dançarina clássica desde os seis anos de idade, o que lhe forneceu agilidade para ir do clássico às danças mais populares. Ela não era uma atriz de grandes solos, mas desenvolvia-se melhor com um parceiro ao seu lado.

Ao contrário de Cyd, Ann Miller brilhava melhor em seus solos. Em 60 anos de carreira, ela atuou em mais de 40 filmes, destacando-se principalmente ao lado de Fred Astaire em "Desfile de páscoa", em que faziam uma dupla de dançarinos famosos de teatro. A dança veio para Ann como forma de cura, pois ela era raquítica na infância, tendo que dançar para desenvolver-se. Aos 13 anos já era contratada pela RKO, graças a uma falsificação de documentos, que comprovavam que ela tinha 18 anos. Apesar de não estrelar nenhum filme, ela brilhou em vários deles, emprestando seu bailado em filmes como "Um dia em Nova York", "Garota do interior", "Do mundo nada se leva", "O belo sexo".

A sereia Esther Willians era campeã de natação, e trabalhava como modelo quando foi descoberta pelos olheiros da MGM. Construíram especialmente para ela uma enorme piscina, para ela em "Bathing beauty", e o que veio posteriormente foram sequências de produções espetaculares, em que ela surgia nadando e saltando. Conforme sua fama aumentava, aumentavam também os saltos. Jimmy Durante, Ricardo Montalban, Tom e Jerry foram alguns de seus parceiros.

Muitos outros fizeram o sucesso desse grande gênero, como Eleanor Powell, Judy Garland, Rita Hayworth, e grandes nomes,como Vincent Minelli e Busby Berkeley (o grande nome dos musicais da década de 30).

Considerado hoje um gênero já obsoleto, ainda é possível ver esporadicamente uma ou outra tentativa de ressuscitação de musicais, como "Vem dançar comigo", "Moulin rouge" e "Dirty Dancin’", porém sem o brilho de astros que se dedicavam a arte da dança. O que temos são filmes musicais, feitos com atores que se esforçam, muitas vezes sem sucesso, para a realização de mais um filme. Apenas mais um filme.

Carla Marinho

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