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22.9.08

Jerry Lewis - o rei da Sessão da Tarde




Quando eu ainda usava maria chiquinhas nos cabelos, quando minhas tardes eram recheadas de laranjas e sessão da tarde, eu via o mundo em technicolor e achava normal as mulheres usarem laquê no cabelo e saia rodada. Desenhava os modelos delas e desejava usar um, claro, e em cima de saltos altíssimos. No meu mundo de 10 anos de idade não havia ainda a paixão que desenvolveria por Chaplin (não passavam filmes dele na Sessão da tarde...) , não havia Judy Garland, que eu aprenderia a amar, nem os grandes galãs, já idosos na minha tenra idade. Ou mortos. Não. Para mim só havia um homem que eu considerava belo e inigualável: Jerry Lewis. Acreditem. Jerry Lewis. Não há espanto. E daí se ele parecia um bobo ao lado das mulheres, ou que fosse o idiota da dupla que fazia com Dean Martin? Ele reinava. Absoluto. Casei-me com ele diversas vezes. Acho que isso se explica facilmente: a fascinação que o sorriso exerce sobre as crianças.

Com ele eu soltei minhas primeiras risadas em frente à TV. Solitárias risadas enquanto descascava laranjas. E adorava as semanas especiais das crianças, porque inevitavelmente passariam filmes dele. Sozinho ou com Martin. Lembrei-me disso tudo enquanto passava de canal e dei-me com um filme dele. Não soube identificar logo de cara, mas soltei algo como "ah, aquele filme em que ele está rodeado de mulheres! Daqui a pouco entra um leão". E era o filme. Memória guardada. Fui buscar informações sobre o filme e descobri que se tratava de "The Ladies Man" (O terror das mulheres), em que ele interpretava um jovem tímido, traumatizado no amor e que foi trabalhar, ora, justamente numa pensão só para mulheres, palco perfeito para ele, reinando absoluto no meio de tantas, que o idolatravam, como eu.

Nascido na cidade de Neward, em 1926, numa família de atores, Jerry Lewis (Joseph Levitch) já cantava nos palcos, junto com os pais aos 5 anos. Seus pais cantavam e tocavam em bares. Já crescido, passou a atuar em clubes noturnos. Aos 18 anos já era um profissional, e teve sua carreira impulsionada quando conheceu Dean Martin, com quem passou a formar uma dupla cômica. Tornaram-se populares, com números de dança e comédia. Duplas de contrastes sempre fizeram sucesso, podemos citar Charles Chaplin e Eric Campbell, O gordo e o magro. No caso de Dean e Jerry, tínhamos o cara boa praça e o descoordenado, desatento, desajeitado da dupla. Em 1949 os dois estreariam no cinema em "My friend Irma". Seguiram-se vários filmes em seqüência, até que em 1956 a dupla se desfez, quando Jerry resolve atuar sozinho. Com o controle, ele passou a dirigir e a produzir alguns dos seus filmes, e seguiu com grande popularidade durante os anos 60, com filmes como "O professor aloprado" (1963), em que interpreta um professor feíssimo, mas que descobre uma fórmula para se tornar um homem atrativo. A segunda versão deste filme, protagonizada por Eddy Murphy teve a produção do comediante. A partir do final da década, sua carreira começou a minguar. Durante os anos 60 e 70 Lewis começou a trabalhar em causas beneficentes e escreveu sua biografia "Jerry Lewis". Nos anos 80 começou a ter problemas de saúde, com um ataque de coração, chegando a ter sido diagnosticado morto. Salvou-se milagrosamente. Em 1983 foi chamado por Martin Scorsese para fazer "O rei da comédia", ao lado de Robert de Niro. O resultado foi um show de interpretação, no papel do ansioso e suado anfritião de um programa de entrevistas. Na década de 90 trabalhou na Broadway em "Damn yankees", e começou a se dedicar à UNICEF. Em 1998 recebeu um prêmio pela sua trajetória da Associação americana de comediantes.

Comediantes nunca foram considerados bons atores, isso é uma pena. Enquanto Robert Taylor, Clark Gable, Spencer Tracy ganharam louros por suas carreiras, Harold Lloyd, Buster Keaton, Jerry Lewis e mais recentemente, Jim Carrey passaram e passarão apenas como atores que nos fizeram em algum momento rir. Privilegia-se o trágico ao cômico, embora prefiramos a alegria. Para mim Jerry foi e será um gênio da comédia. Explico: gênio para mim é aquele que permanece atual, não importa a época em que ele tenha realizado sua obra. Fazer rir é dificílimo. E hoje, olhando em retrospectiva minha própria infância, ver meu filho sorrir das gags de Jerry, faz-me perceber a eternidade de um ídolo.

Carla Marinho, para o jconline

6 comentários:

Roderick Verden disse...

Emocionante o texto, Carla. Minha saga com Jerry Lewis começou quando eu era criança(e isso faz tempo!), minha tia, volta e meia, me levava ao cinema para assistir películas do comediante. Eu ria e gostava demais de Lewis. Mas, então, a "Sessão da Tarde" passou e repassou tanto filme dele, que enjoei... Todavia, pode ser que meu senso de humor tenha mudado, com o passar dos anos. Se bem que acho que o estilo de humor de Jerry Lewis está mais para o público infantil. Penso também que ele faz careta em excesso. Curioso, é que ainda curto muito coisas como "Os Três Patetas", "O Gordo e o Magro"...

Interessantíssimo o que disse a respeito da aparência de Lewis: quando eu era moleque, li numa revista, "um tinha cara de retardado(Lewis), outro era galã(Dean Martin). Acho que Jerry Lewis tem a aparencia bem melhor que Martin. Pra quem não sabe, quando os dois se separaram, Dean Martin atacou muito a Jerry Lewis: "É um mau-caráter e megalomaníaco".

Não obstante, gostem ou não gostem dele, Jerry Lewis é um ícone da comédia e merece nosso respeito. Fazer rir é difícil sim, e muito me entristece ao sabar da morte de um comediante.

Viviane Moreira disse...

Nossa Carla! Posso dizer o mesmo! Cresci assistindo-o na sessão da tarde, época em que dava para passar a tarde assistindo a bons filmes!
E diferente de nosso amigo Verdem, ainda assisto e me divirto com seus filmes!
Bjs
Vi

Blog da Mulher Necessária disse...

Olá, Carla
reproduzi seu texto sobre o filme Nasce uma Estrela no meu blog
http://blogdamulhernecessaria.blogspot.com/
gostei muito
abraço
Aparecida Torneros, RJ

Anônimo disse...

eu concordo com voçê carla,pra mim também o jerry sempre foi muito bonito e talentoso ,eu fico torcendo pra que qualquer dias desses passe um filme dele,não importa qual, mas que passe qualquer um que venha matar a saudade desse lndo maluco.como voçê eu também ´não perdia os filmes dele na sessão da tarde.eu tenho tanto medo que ele morra pois já está tão velhinho,que Deus conserve ele por muitos anos ainda pra nossa alegria.

vera delgado disse...

Puxa vida me sinto traida agora pois a Carla casou-se com Jerry na mesma epoca que eu ????!!!!!nossa que triteza....mais com certeza eu o amo mais, pois meu amor por ele é eterno pra mim o maior comediante de todos os tempos, e um homem muito bonito....bjos

Anônimo disse...

Emocionante o teu relato, também penso e vivi desa maneira aqueles tempos.
Parabéns!!!!!!!!
Luis Freitas

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