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15.10.08

James Dean – jovem demais para morrer

"Se um homem pode fazer uma ponte entre a vida e a morte, se continuar vivo após sua morte, talvez tenha sido um grande homem. Para mim, o único sucesso, a única grandeza é a imortalidade." (James Dean)

Não foram somente três filmes. Não se pode resumir a carreira desse jovem em apenas três filmes. Foram mais de 30 participações em teleteatros, alguns comerciais, pequenas participações em filmes (Sailor Beware, Has anybody seen my gal?, dentre outros) e três filmes como protagonista principal. James Byron Dean ganhou a eternidade quando aos 24 anos deixou esse mundo, tão violentamente rápido quanto sua passagem por aqui. James nasceu na Indiana, em 8 de fevereiro de 1931, aos nove anos perdeu sua mãe, e acabou sendo criado por seus tios, numa fazenda. Seu nome foi uma homenagem ao poeta inglês Lord Byron, idéia de uma mãe também sonhadora e amante das artes. Para passar seu tempo, ele aprendeu a tocar violino, sapateado e passava grande parte do dia escrevendo ou desenhando. A partir dos 14 anos passou a fazer algumas peças sem grande importância, ainda em Indiana, mas que para ele lhe valeriam a escolha do que seria um dia: um ator. Não só um ator, mas um grande ator. Algo entre Marlon Brando e Montgomery Clift, como ele mesmo disse uma vez.

Mudou-se para a casa do pai e chegou a freqüentar a Faculdade de Direito, mas acabou abandonando-a para ir para Nova York, cursar teatro. Seu grande ídolo, e de grande parte da juventude da época, era Marlon Brando. E todos, de uma maneira ou de outra, tentavam igualar-se a ele. Não fugia à regra o nosso Jimmy, que seguiu seus passos e entrou para o Actor’s Studio, que também fora freqüentado por seu ídolo. Lá estudava-se um método em que o ator aprende a usar as emoções da vida real em seus papéis dramáticos, mas ao mesmo tempo sendo alertados de que era tendencioso e até mesmo negativo confundir vida real com a interpretação. O fato é que Jimmy mergulhava tão profundamente nos seus papéis que nunca se soube ou saberá onde começava o ator e onde terminava o homem. Havia sempre aquela urgência dada à interpretação, como se o tempo fosse sempre curto para conseguir o que queria. Seguiram-se algumas pontas na TV, a partir de 1952, e uma peça na Broadway, sem grande sucesso. Porém, começava a imprimir seu nome no cenário local, chamando a atenção com sua interpretação sempre assustadoramente realista. Em “O imoralista” interpreta um homossexual, e ganha o Tony Award de melhor ator. Chamou a atenção de Elia Kazan (Sindicato de Ladrões e Clamor do sexo), que ficou impressionado com o teste do rapaz para seu próximo filme, “Vidas Amargas” (East of Éden). Ao final do teste, ele sabia que tinha em sua frente a personagem Carl.

East of Eden é baseado no best seller de John Steiabeck, uma releitura da história dos irmãos Caim e Abel bíblicos. Desde o início, quando o vemos caminhar, lentamente pelas ruas, percebemos a sua presença hipnótica. E assim foi. Carl, o filho rebelde e carente de Adam, luta em vão pelo seu amor, enquanto o pai dedica-o ao seu outro filho, Aron. Talvez por sua própria experiência de vida (James também foi preterido pelo pai, tendo até o final da vida um relacionamento distante e seco com o mesmo), o tom foi bastante realístico. Kazan tinha razão, e a personagem acabou por se tornar o de maior destaque da trama. Apesar de contar com um elenco conhecido pelo grande público, foi o novato que trouxe para si a atenção. E essa atenção foi tanta que quando o filme estreou no mundo todo, era o seu nome que estava no topo. Seguiu-se “Juventude transviada” (Rebel Without a Cause), com direção de Nick Ray, que contava no elenco a ex-atriz mirim Nathalie Wood. Mais uma vez Jimmy deu contribuições na composição das personagens. Assim como nos demais filmes, para a realização de “Assim caminha a humanidade” (Giant) o ator teve que assinar um termo em que se comprometia a não participar de corridas de carro.

Tanto tempo filmando, fez com que ele acumulasse o desejo de voltar a correr, sua grande paixão. Assim que terminaram as filmagens, ele correu para pegar seu novo carro, um porshe cinza, que se confundia com o solo quente. Enquanto levava-o para sua casa, foi atingido por outro carro. Morte instantânea. Seu mecânico e o motorista do outro carro foram poupados, e Jimmy, apesar de não ter culpa pelo acidente, considerado culpado por antecedentes. Somente “Vidas amargas” havia estreado, e imediatamente, milhares de jovens tomaram-no como exemplo. Seu segundo filme, ao contrário do esperado, lotou as sessões, criando-se o mito James Dean.

Fumava em excesso, bebia exageradamente, amava corridas de motos e carros e grandes farras sem hora para terminar. Assim era sua vida pessoal. Ícone americano, sex simbol reconhecido por sua atualidade, sua morte acabou sendo um retrato fiel de seu estilo de vida. Em seu pouco tempo de vida, ele acabou imprimindo no cinema a imagem de toda a frustração adolescente. Antes de seus personagens, os jovens eram retratados ou como delinqüentes ou engomadinhos. Trouxe os questionamentos, típicos desta etapa de crescimento, que agora pareciam mais tangíveis ao seu público jovem. Deu vez e voz àqueles que não o tinham. Não nos foi dado o direito de vê-lo envelhecer, como ocorreu com outros astros contemporâneos seus, como Marlon Brando e Paul Newman. Não. O destino fez com que o preservássemos na memória para sempre jovem, para sempre um jovem de 24 anos, sensível e ao mesmo tempo provocante.

Por Carla Marinho para o jconline

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