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7.11.08

A lenda de Billy the Kid no cinema

Willian H. Boney, mais conhecido como Billy the Kid, foi juntamente com Jesse James, um dos mais conhecidos foras-da-lei do velho oeste americano. Conta a história, que o jovem matou 21 homens (fora índios e mexicanos!) ao longo de sua curta existência: 21 anos. Teria sido morto por um antigo amigo, Pat Garrett, que fazia parte de seu bando quando o Kid assaltava fazendeiros e roubava cavalos e gado, mas que teria recebido um convite irrecusável para ser xerife e matar o garoto. E assim o fez, matando-o enquanto Billy repousava em casa de amigos. A história teria terminado por aí, não fosse a fama do jovem forasteiro, que já ganhara os jornais da época e livretos, vendidos aos montes para um povo carente de heróis. Garrett, a outra face dessa história, ganhou notoriedade, dinheiro, mas acabou sendo morto algum tempo depois de escrever um livro contando o que ocorrera naquela noite. Já se foram 127 anos desde então e o western, gênero genuinamente americano, explorou o quanto pôde essa história, recontando-a em mais de 50 filmes desde 1911.

O Billy verdadeiro era baixinho, louro, dentuço, no cinema foi retratado por Robert Taylor, Paul Newman, Kris Kristofferson e Emilio Estevez. A primeira versão que assisti sobre a história de Billy the Kid foi um faroeste tipo B, produzido pela Universal, "The Kid From Texas" (1939), e que trazia Audie Murphy no papel principal. Nesta versão Billy era um garoto até certo ponto pacato, até que, levado pelas circunstâncias, enveredou em mortes acidentais ou desastradas. Havia também a mocinha, por quem ele se apaixonara, mas que, por ser um fora-da-lei, não pudera ter. Lembro-me que, ao longo de meus 13 anos, achei ele um rapaz boa pinta, e me lamentei ao vê-lo morrendo ao final...

Vale citar também a versão protagonizada dessa vez por Robert Taylor, que, aos 30 anos, fazia um jovem de 21 no filme "Billy the Kid" (1941). Mau, muito mal, e eternamente de mal humor, parecendo valer-se da fama de que os maus não devem nunca sorrir.

Outra versão que trazia quase a mesma temática, "Um de Nós Morrerá" (1958) teve Paul Newman no papel principal, depois que James Dean, cotado para ser Billy, falecera num acidente, pouco tempo antes. O filme apresenta um jovem que torna-se procurado pela justiça ao vingar-se da morte do seu amigo, Sr. Tunstall, morto à covardia na briga por dinheiro no velho Oeste. Lindo de morrer, acaba se apaixonando pela esposa do melhor amigo, talvez única mácula de sua personalidade. Aqui temos também um doce e carente Kid, mais levado pelas circunstâncias do que por sua vontade, e que acaba também sendo morto à traição, dessa vez desarmado. O "pobre" Billy era apenas um garoto, tentando iniciar uma vida honesta, quando esta oportunidade lhe é tirada. Coitado, vítima das circunstâncias.

Claro que o excêntrico Howard Hughes faria sua versão carnavalesca da coisa, escalando o fraco e magro Jack Beutel para o papel principal. A história tosca de "The Outlaw" (1946) diz mais respeito a um cavalo disputado por Billy e Doc, seu amigo, do que sobre a lenda do velho oeste. Jane Russel e seu belo par de seios aparecem para contrabalançar e dividir o coração do jovem, que parece muito mais enamorado do cavalo do que pelas aventuras (ou mulheres). Um faroeste para fracos, diriam alguns. O melhor desse filme talvez tenha sido os bastidores. Hughes travou uma briga com a censura, por causa de cenas calientes em que os seios da Jane pareciam pular para as telas. Bom, talvez para a censura da época fosse algo realmente difícil ver uma moça, aparentemente sozinha, mesmo não mostrado claramente, resolver curar a febre de Billy The Kid enfiando-se em suas cobertas inteiramente nua. Mesmo a cena sendo apenas vagamente sugerida, com um corte.

Chegamos àquela versão consagrada como sendo a melhor já feita sobre o assunto: "Pat Garrett e Billy the Kid", de 1973, que trazia o cantor-ator Kris Kristofferson e trilha sonora (e participação mais que especial) de Bob Dylan. Aqui, as duas figuras envolvidas ganham o mesmo destaque. Pat parte numa empreitada em busca do seu antigo amigo, ignorando antigas amizades, batendo em prostitutas e ambicionando apenas fama e dinheiro. Enquanto isso, o jovem Billy segue com seu trabalho (roubando vacas), salvando amigos em perigo, brigando com os homens da lei que querem lhe matar, sendo dócil com as mulheres que ele tanto ama. O encontro, fatal, ocorre, e Pat dá dois tiros: um em Billy e outro no espelho, matando a si próprio simbolicamente, pois quando morre um sonho (neste caso matar a Billy), morre também quem o persegue.

Com a trilha sonora de Jon Bon Jovi, Os Jovens Pistoleiros (1988) e "Jovens Demais para Morrer" (1990), com Emilio Estevez como Billy, apresenta a versão de que Billy não teria morrido no confronto com Pat Garrett, mas que teria envelhecido, e aparecido para obter o perdão prometido pelo governador. Sempre bem-humorado, mesmo nas piores ocasiões, sendo traído por amigos que antes consideravam ("o dinheiro da recompensa acaba com qualquer amizade"), adorando a fama obtida ("Billy, deixe de acreditar no que dizem ao seu respeito") e trazendo em si a vontade de sobreviver em sua terra ("não vou viver em outra terra como um estrangeiro"). Talvez esse seja, apesar das histórias míticas, o melhor retrato do jovem pistoleiro que gostava de jogos de cartas, mulheres e beber com os amigos. Ligeiramente psicótico quando sai rindo loucamente ao matar as pessoas, mas, enfim, bem-humorado.

O cinema tem toda licença do mundo para refazer a história, contando a seu modo, não como aconteceram de fato, mas como poderiam ter acontecido. Como já dizia-se naquela famosa frase: quando a lenda se torna fato, imprima-se a lenda.

Por Carlam Marinho
para o Adorocinema.com

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