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12.11.08

Textos de Dulce Damasceno, pra matar a saudade

A querida Kim Novak

A ex-deusa sexy da Columbia, que completa 75 anos neste mês, é lembrada como amiga franca e amável

Por Dulce Damasceno de Brito


Em pouco tempo de Hollywood, já sabia que seria quase impossível estabelecer laços de amizade com os astros e estrelas que entrevistava. Nada mais natural para essas celebridades criarem barreiras, afinal não havia motivo para se afeiçoarem a uma jovem jornalista brasileira. Mas houve algumas exceções, e uma delas foi Kim Novak. Lembrei-me de seu afeto e de sua beleza quando o canal TCM anunciou alguns de seus filmes em homenagem ao seu aniversário: 75 anos, completados em 13 de fevereiro. Eu a conheci no auge de seus 20 anos, em 1953, durante uma recepção na casa do cônsul do Brasil em Los Angeles, o falecido Roberto Campos, que, depois, seria ministro e senador. Ela ainda estava em começo de carreira. Sabendo que eu era brasileira, falou de sua admiração por Carmen Miranda. E esta, assim que chegou, apresentei-a àquela si mpática loira. Kim ficou felicíssima e, desde então, mesmo quando já era a estrela maior da Columbia, sempre me tratou com afeto e nos visitamos. Foi por meu intermédio que ela conheceu o pintor brasileiro Oswaldo França Jr., radicado em Hollywood, que fez de seu belo rosto um retrato. Kim também me proporcionou um momento inesquecível. Em fins de 1957, quando atuava em Um Corpo Que Cai, de Hitchcock, me escondeu no estúdio da Paramount, contrariando ordens do diretor - ele não queria ninguém além da equipe no set. Desse jeito, pude v ê-la rodando alguns takes da parte em que sua personagem Judy surge transformada em Madeleine. Naquela ocasião, nem imaginava que estava assistindo às filmagens de uma das mais belas seqüências da história do cinema.

Ela sempre me falou com franqueza de suas relações amorosas, inclusive com Frank Sinatra e Sammy Davis Jr. Mas negou com veemência qualquer transa com um famoso playboy brasileiro que disse o contrário em várias publicações. Creio que, por volta de 1995 ou 1996, não me lembro ao certo, Kim me telefonou. Eu já morava em São Paulo. Falou com alegria de sua ótima relação com o dr. Robert Malloy, seu segundo e atual marido desde março de 1976. "Muitos não me chamavam de cadela? Pois é, agora tenho um veterinário em tempo integral", disse, bem-h umorada. Kim não sentia saudade da carreira e participava das atividades do marido. Em 2000, a propriedade onde moravam e criavam cavalos e lhamas em Oregon pegou fogo. Mas, determinada, ela deve ter dado a volta por cima. Eu a vi há uns dois anos no programa em que Larry King entrevistou atrizes que filmaram com Hitchcock. Ela estava linda e de maneira alguma dava a impressão de que já estava próxima dos 75 anos. Que saudades da amiga Kim Novak.


A luta dos brasileiros

A vida nada fácil de quem tentou fazer carreira no cinema americano

Dulce Damasceno de Brito


Quando vejo ironias rudes sobre as atividades de Sônia Braga e Rodrigo Santoro nas produções americanas, fico injuriada. Afinal, não é fácil fazer carreira em Hollywood, principalmente para brasileiros. Sônia, desde 1986, construiu lá uma filmografia com cerca de quarenta títulos, entre longas e produções para a TV. Algumas lhe valeram indicações para os prêmios Emmy e Globo de Ouro. Santoro, em pouco tempo, já atuou ao lado de celebridades como Drew Barrymore, Laura Linney e Helen Mirren. O Xerxes de 300 vai longe. A luta deles me lembra a de outros brasileiros que, além da vitoriosa Carmen Miranda, também se empenharam em fazer carreira em Hollywood. Um é o esquecido Raul Roulien. Entre 1931 e 1933, participou das versões latino-americanas que saíam daqueles estúdios. Mas consta que, ao processar John Huston por dirigir embriagado e atropelar e matar sua esposa, Tosca Roulien, Raul caiu em desgraça, as portas se fecharam e ele retornou ao Brasil onde morreu em 2000, aos 95 anos.

Já Leonora Amar poderia ter sido estrela em Hollywood graça à influência de seu rico marido, Miguel Aleman, ex-presidente do México. Atriz de muitos filmes realizados naquele país (no Brasil, só fez Veneno, na Vera Cruz), a bela carioca já era a sua amante quando ele ocupava a Presidência. Ao deixar o poder, Miguel assumiu a relação e mudou-se com Leonora para Los Angeles, dando-lhe todo o estímulo para fazer carreira. Moravam em uma mansão em Bedford Drive, onde sempre me receberam com simpatia. Porém, logo após ser a protagonista de Capitão Scarlett, a moça perdeu a vontade de atuar.

Ao contrário dela e sem fortuna, Nelson Sardelli foi obstinado para se impor na América. E conseguiu, menos como ator e mais como show-man. Participou de poucos filmes. Em um deles, Homem, Mulher até Certo Ponto, contracenou com Raquel Welch e a veterana Mae West. Dizem que esta última ficou empolgada com sua beleza e seus músculos. Os mesmos que haviam conquistado Jayne Mansfield, em 1962, quando ela estava separada do húngaro Mike Hagirtay. Pouco mais de um ano depois, o romance com Sardelli terminou e a loira voltou com o ex-marido, anunciando estar grávida. Daí circularem rumores de que esse paulista poderia ser o pai da criança, hoje famosa como Mariska Hagirtay, uma das principais atrizes de Law & Order. Fofocas à parte, o fato é que esse brasileiro, completando 83 anos neste 20 de setembro, há décadas ganha a vida nos EUA, fazendo humor e cantando em shows, a maioria em Las Vegas, onde reside com a família.


Como agarrar um milionário em Hollywood

Algumas atrizes conquistavam produtores ricos para, em seguida, deixarem de lado suas carreiras


Quando morava em Hollywood, vi belas intérpretes de pouca fama conseguirem efetivar uma boa união com produtores milionários para, em seguida, acomodadas na fortuna ou por outra razão, abandonarem ou darem pouca importância à profissão artística. Um exemplo é Martha Hyer. Essa americana do Texas tinha 18 anos em 1946, quando começou a se fazer notar em pequenos papéis. Mas a sua carreira - pela qual nunca demonstrou muito entusiasmo - consolidou-se por volta de 1956, em filmes como Hino de Uma Consciência e O Delinqüente Delicado, este último ao lado de Jerry Lewis na Paramount, onde reinava o produtor Hal B. Wallis. Em 1966, Martha casou-se com ele e passou só a fazer esporádicas aparições em filmes para a TV. Ela estava ao seu lado quando Wallis morreu em 1986.

Outra atriz bonita que comprometeu sua profissão ao se casar com um milionário foi Jean Peters. Ela já tinha mostrado talento em filmes como Viva Zapata!. Quando a entrevistei na Fox, em 1955, durante as filmagens de Para Todo o Sempre, não imaginava que aquele seria o seu último longa. Na ocasião, já circulavam rumores sobre seu romance com Howard Hughes, o magnata do cinema e da aviação interpretado por Leonado DiCaprio em O Aviador. Infelizmente, fui proibida de questioná-la a respeito. Em 12 de janeiro de 1957, em uma cerimônia em Las Vegas, Jean tornou-se a sra. Hughes. Por ciúmes do marido, ela afastou-se da carreira, só retornando em três filmes para a TV depois de 1971, quando o casamento acabou. Jean morreu em 2000, aos 74 anos.

Antes dela, outras atrizes passaram pelos braços de Hughes. Caso de Faith Domergue e Terry Moore. Esta última, indicada para o Oscar de melhor coadjuvante de 1953 por A Cruz de Minha Vida, disse que estava ainda casada com ele quando aconteceu a união com Jean. Terry e o magnata casaram-se em 1949, quando a moça tinha 20 anos. Em 1976, quando Hughes morreu, ela entrou na Justiça frisando que, como ele esqueceu de divorciar-se, era a herdeira de sua fortuna. Parece que Terry ganhou uma boa quantia.
Há outros casos similares, como o da polonesa Bella Darvi. Linda, mas fraca, fez alguns filmes em Hollywood, "importada" por Darryl F. Zanuck, de quem foi amante. Posteriormente, ao se ver sem trabalho, fez um escândalo que envolveu a esposa de Zanuck. De volta à Europa, Bella tentou prosseguir no cinema. Sem sucesso, matou-se em 1971, aos 43 anos. Esse, sim, foi um triste fim para aquelas que agarraram seus milionários.

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