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20.1.09

Clark Gable



CLARK GABLE
Judy Garland canta “Dear mr. Gable” no filme Broadway Mellody, de 1938. Na música sua personagem, uma adolescente, escreve uma carta para o maior astro da década, exaltando sua paixão e como pode se sentir triste ou feliz quando o vê nas telas. Era o efeito Gable dentro e fora das telas. Depois do fenômeno de Douglas Fairbanks nas décadas anteriores, viria ele como a imagem do sonho americano, misto de coragem e sensualidade, sonho de consumo de milhares de mulheres. Não era belo, na verdade era até mesmo feio, mas havia algo que chamava a atenção, talvez o jeito canalha de encarar tudo, de mulheres, passando por jogos ou negociatas. Sempre a mesma expressão do homem que fez mais de 90 filmes, mas que parecia fazer sempre e sempre o mesmo personagem: ele mesmo. Nem sei se o considero bom demais por convencer fazendo a mesma coisa, ou ruim demais, por não ultrapassar esta barreira criada, talvez, pelo mercado.
Em um de seus primeiros filmes, “Uma alma livre”, ele aparecia maltratando uma mulher rica, interpretada por Norma Shearer. Seguiram-se Greta Garbo, Jean Harlow, Joan Crawford, Barbara Stanwick, Ava Gardner, Marilyn Monroe, Mary Astor, Grace Kelly. Tapas, baforadas, empurrões, beijos roubados, palavras duras, tudo isso fazia parte, arrebatando uma por uma, filme por filme.

O famoso intérprete de Rhett Butler nasceu em Ohio, em 1901, sendo criado por sua madrasta. Péssimo aluno na escola, foi descrito como simpático, de olhos grandes e gosto pela música. Tanto desdém com os estudos culminaram em seu abandono, alguns anos antes da formatura. Foi trabalhar com o pai nos postos de petróleo e somente aos 21 anos começou a fazer teatro, conhecendo sua primeira esposa, Franz Dorflero. O casamento durou pouco, pois não era nada prático para um ator principiante ser casado. Ele conhecera Josephine Dillon, 14 anos mais velha que ele, que se tornara professora depois de ter atuado durante alguns anos na Broadway. Dillon o moldou: aconselhou-lhe a mudar os dentes e ensinou-lhe a se portar em público e a se vestir bem. Casou-se em segundas núpcias com Ria Langham, socialite que lhe abriu algumas portas. Por meio dela, ele obteve seu primeiro papel, na peça “The last mile”, fazendo com que olheiros da MGM finalmente o reconhecessem e o chamassem para testes. Era o início do sucesso. Alguns anos mais tarde ele reclamou com a MGM, que sempre lhe davam os mesmos papéis, e como punição foi mandado para a Columbia, para fazer um filme de baixo orçamento, dirigido por Frank Capra, chamado “Aconteceu naquela noite”. Curiosamente, o que ninguém esperava aconteceu, e ele acabou ganhando o Oscar por sua atuação nesse filme. Quando ele quis se afastar do estereotipo, interpretando um irlandês sensível, no filme “Parnell, O rei sem coroa” acabou mostrando-se um fiasco. Seguiram-se filmes como “O grande motim” (épico marítimo), em que ele retomava o seu estereótipo.

Mas foi como Rhett Butler, de E o vento levou, que Mr. Gable se tornou inesquecível para o cinema. Ele esperou, pacientemente, os imensos e intermináveis testes para a escolha de sua parceira, e quando Vivien Leigh foi escolhida, as filmagens do maior épico de todos os tempos transcorreram em meio a desavenças entre os atores e diretores e problemas com a equipe.
Com 40 anos Clark casou-se com Carole Lombard, uma atriz de sucesso, comediante dentro e fora das telas. Ele usara muitas mulheres para subir na carreira, e quando conquistou o estrelato, foi ao lado de Carole que buscou a felicidade. Felicidade esta que terminaria quando ela, ao voltar de uma campanha, teve morte instantânea ao seu avião se chocar contra montanhas, perto de Las Vegas. Ela tinha 32 anos, e os dois tinham 3 anos de casados. Dizem que ele se alistou no exército para fugir da dor que sentia, e pelo remorso de tê-la incentivado a embarcar naquele avião rumo a morte. Com o fim da guerra, Gable, quase na meia idade, voltou para Hollywood, inseguro quanto a sua vida e carreira. Foi um pouco difícil retornar aos holofotes, com fãs, jornalistas e equipes de cinema no seu encalço. Trabalho, trabalho, trabalho.

Seu nonagésimo filme seria Os desajustados, ao lado de Marilyn Monroe e Montgomery Clift. Marilyn era fã dele desde a infância, quando fantasiava que Clark era o pai que ela não conhecera. O filme era pesado, pois os três atores principais passavam por momentos delicados em sua vida. Clark jamais se erguera depois da morte da esposa, Montgomery ainda sofria de dores físicas e psicológicas de um acidente que sofrera anos antes e Marilyn passava por uma piora em seu estado psicológico. Duas semanas depois de terminar o filme, Clark morreu de ataque cardíaco aos 59 anos. Quatro meses depois nascia seu filho.

Clark começou no cinema como o protótipo do homem que maltrata as mulheres, mas suavemente tornou-se uma figura de inegável magnetismo. Eu dizia no início que não sabia se ele era bom demais por convencer no único papel que fazia, ou ruim demais por não conseguir ultrapassá-lo. Mas, se levarmos em conta o preceito de que toda unanimidade é burra, seria unânime dizer que ele foi desnecessário e esquecível num campo em que tantos são esquecidos.

Escrito por Carla Marinho

3 comentários:

Meg disse...

Eu gosto dele e gostei muito mais de saber detalhes sobre ele. Um ator clássico, indispensável e inesquecível.

Glaura disse...

Carla Marinho.
Não é um comentário e sim um pedido, gostaria que colocasse, se possivel, uma foto de Deanna Durbin, ai eu pegaria a foto. Obrigada. Glaura.

Mary West disse...

Parte lendária da safra de homens com H maiusculo que naum encontramos mais nos dias de hj.

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