Seguidores

16.3.09

Bonequinha de luxo - o filme

Publicado em 09.03.2009, às 11h46

A grosso modo, não é uma grande história. É até simplória
A grosso modo, não é uma grande história. É até simplória
Foto: Divulgação

Uma garota, talvez triste, talvez pensativa, canta na sacada de sua janela, uma música melancólica, porém bela. A música fala sobre o Rio da Lua (Moon river) e já havia sido instrumentada no início, quando ela, sozinha, caminhava pelas ruas vazias da cidade. Parava em frente a Tiffany’s, famosa loja de jóias. Cabelos presos, vestido longo e negro, colar de pérolas, copo numa mão, croissant em outra, olhar vago para a vitrine tão rica: a sensação de que somente aquele local poderia transportar-lhe para o paraíso e faze-la esquecer-se dos seus momentos mais angustiantes. A garota é Holly Golightly, a atriz, Audrey Hepburn, e o filme, Bonequinha de Luxo, baseado na obra de Truman Capote.

Ao escrever o romance, Truman tinha em vista Marilyn Monroe, que parecia perfeita para o papel principal: Holly poderia ter a inocência de um bebê ao mesmo tempo em que servia como acompanhante de luxo, podia inebriar-se de whisky em festas ou chorar a perda de seu gato em meio à chuva. Uma mulher densa e complexa, talvez de aparência vazia, mas de um sentimentalismo beirando os limites da razão. Ao invés de mandarem-lhe a loira, uma morena, de olhos grandes e aparência delicada foi escalada para ser a Holly. Truman parecia não acreditar. O nome de Audrey Hepburn foi sugerido e o diretor Blake Edwards teria que trabalhar muito para obter um bom resultado, haja vista que a atriz nunca interpretara uma mulher de tamanha ousadia. Ela aceitou o desafio, e passou para a história como a Bonequinha de Luxo.

Ainda quero ser eu mesma quando acordar numa bela manhã para tomar café da manhã na Tiffany's

Holly é uma mulher jovem, que mora sozinha em Nova York, e deseja mudar de vida, casando-se com um milionário. Enquanto não consegue, passa seus dias a imaginar como será seu futuro, e sonhando em frente à Loja Tiffany’s. Conhece um jovem escritor sem talento e frustrado. Holly e Paul Varjak tornam-se amigos e juntos enfrentam momentos de solidão, juntos.

Mickey Rooney, famoso sobretudo em seus alegres e dançantes filmes da década de 40 (Babes in Arms, Babes on Broadway), aparece na pele de um chinês (?) que sobra em tela, causando mais vergonha alheia do que vontade de rir, como era suposta ser a intenção. Além disso, um roteiro tão leve, escrito por Truman já previa cenas com um toque de humor, tornando-se totalmente desnecessária a presença do ator em cena.

E lá se vão quase cinqüenta anos desde que o filme foi lançado, em 1961. Bonequinha ganhou 02 Oscars (Melhor Trilha sonora e Canção original com Moon River), sendo ainda indicado para Melhor Atriz, Roteiro adaptado e Direção de arte. Mesmo assim, Truman Capote nunca engoliu o fato da escolha da atriz ter caído sobre Audrey.

A grosso modo, não é uma grande história. É até simplória, de pessoas que apenas desejam vencer na vida, seja sendo gigolô, no caso dele, ou acompanhante de “tiozinhos” e “aviãozinho” de traficantes no caso dela. Duas faces de uma mesma laranja. Talvez podre. O fato é que, emprestando um ar de sofisticação à personagem, Audrey tirou-a da vulgarização, que seria inevitável em uma interpretação e gesticulações exageradas, tornando a Holly em uma doce e amável criatura, apesar de tudo. Tudo que fica nas entrelinhas.


Por Carla Marinho para o jconline

3 comentários:

Sônia disse...

Um filme espetacular e que conta com uma trilha sonora de primeiríssima linha ( Graças ao Henry Mancini). Vi o filme na televisão e muito tempo depois em DVD. Blake Edwards dirige o filme com maestria, principalmente nas cenas de humor. Já a Audrey.. sem comentários! Ela consegue dar todo o toque de leveza e graciosidade a Holly ( Talvez pelo fato de ter sido mãe antes das filmagens de " Bonequinha de Luxo"). Sabe, existem filmes que jamais podem ser refilmados. " Bonequinha de luxo" é um deles!.

Sônia disse...

Carla!
Uma humilde sugestão.

Faz um matéria sobre a atriz Jean Simmons. Ela já tem 80 anos ( Fez aniversário em 31/01) e, particularmente, sei tão pouco sobre a vida dela! Acho esta atriz tão injustiçada, pois poucos se lembram dela ( Ela fez aquele filme " O manto sagrado" ). Depois, a vi em " Da terra nascem os homens". Não sei, é triste pensar que boas atrizes como ela caiam no limbo esquecimento. Só o purviance para mudar este quadro.

Spark disse...

É uma surpresa encontrar alguém que admire Chaplin!! Sou também um grande admirador de Chaplin e também de Buster Keaton, que são sem dúvida brilhantes.

O teu blog é muito bom, com uma boa homenagem ao cinema antigo. ;)

Related Posts with Thumbnails