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5.3.09

Ótimo texto sobre Jerry Lewis. Não tiro uma vírgula

A ARTE ESQUECIDA DE JERRY LEWIS


João Lopes
Infelizmente, no imaginário público (e da esmagadora maioria do público), a cerimónia anual dos Óscares de Hollywood está transformada numa competição banalmente televisiva. Assim, para muitos espectadores, trata-se de assistir a uma espécie de "chuva de estrelas" completamente alheia a qualquer amor pelo cinema e o seu património específico. Basta observar as tendências dominantes na blogosfera e a tristeza com que se comentam (?) os Óscares como se fossem uma guerra entre os "meus" e os "teus" candidatos.

Não surpreende, por isso, que o nome de Jerry Lewis, o grande homenageado da noite de 22 de Fevereiro, tenha encontrado fraquíssimos ecos nos balanços da cerimónia (a começar pelos que nos chegaram dos EUA). E, no entanto, ao distingui-lo com o Prémio Humanitário Jean Hersholt, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood estava a celebrar um duplo e fundamental valor: por um lado, reconhecendo a importância do seu trabalho humanitário, em particular na televisão, através dos muitos espectáculos ("telethons") de angariação de fundos para o combate à distrofia muscular; por outro lado, exaltando o seu talento de entertainer ou, nas palavras de Sid Ganis (presidente da Academia), a sua condição de "lendário cómico que (...) levou o riso a milhões de pessoas em todo o mundo".

Estamos a falar, de facto, não exactamente de uma personalidade mais ou menos esotérica, eventualmente celebrada por um nicho de fãs ou "seguidores", mas sim de um dos símbolos mais genuínos da nobre tradição americana da comédia e do burlesco. Nos anos 50, em particular, a solo ou nos muitos filmes em que formou uma célebre dupla com Dean Martin, Jerry afirmou-se como legítimo herdeiro de mestres como Charles Chaplin, Buster Keaton ou Stan Laurel. A partir de The Bellboy/Jerry no Grande Hotel (1960), na sua tripla condição de actor/realizador/produtor, construiria um dos capítulos mais fulgurantes da história moderna do género cómico, nele se incluindo obras-primas como The Ladies Man/O Homem das Mulheres (1961), The Nutty Professor/As Noites Loucas do Dr. Jerryll (1963) e The Family Jewels/Jerry e os 6 Tios (1965).

Pelo génio da sua arte de representar, pela ousadia narrativa e simbólica da linguagem dos seus filmes e também pelo sentido de experimentação do seu trabalho (foi pioneiro, por exemplo, na introdução dos ecrãs de video como forma de verificação do material filmado), Jerry é uma daquelas personalidades que nos ajudam a perceber melhor as transfigurações históricas do cinema. Em boa verdade, para compreendermos as convulsões por que passou Hollywood ao longo dos anos 60, a sua obra é tão importante como as de Martin Scorsese ou Francis Ford Coppola.

À beira de completar 83 anos (no dia 16 deste mês), Jerry Lewis é uma referência esquecida por muitos espectadores de cinema. O facto de o género cómico ser muitas vezes olhado como um espaço "secundário" e pouco "artístico" poderá ajudar a explicar, pelo menos em parte, esse esquecimento. Mas não basta. Acontece que a sobrecarga de "informação" em que vivemos se interessa muito pouco pelo conhecimento real dos mestres, a não ser que sejam envolvidos por alguma agitação mediática. A ironia amarga é que Jerry Lewis foi mesmo um símbolo modelar de um cinema visceralmente popular.

FONTE: DN Online

Um comentário:

Sônia disse...

É por este motivo que eu não mais asssisto à cerimônia do oscar. Soube que fizeram uma sacanagem ( com o perdão da palavra) com o Jerry Lewis. A academia nunca soube valorizar o seu talento,porque pensam que comédia não é um gênero sério. Só que aqui no Brasil, muitos amam o Jerry. Vi alguns filmes deles na televisão ( Pena que as emissoras não passem mais filmes antigos e legais como os dele). Várias gerações cresceram assistindo seus filmes. E hoje em dia, poucos sabem quem é Jerry Lewis! Particularmente, ele é um dos melhores ATORES que passaram pela face da terra. Soube crescer profissionalmente e, até mesmo, dirigia seus próprios filmes. Aprendi a gostar de Jerry por causa da minha mãe e, com certeza, jamais me esquecerei dele. Afinal de contas, seus filmes serão eternos!

Carla, posso te fazer um pedido. Sei que vc pode me achar muito chata. Sou uma mulher que só gosta de cinema ( não sou fera no assunto). Só que será que vc pode fazer uma matéria sobre o Alain Delon. Não é por minha causa que eu estou pedindo. É por causa da minha avó que gosta dele. No momento, ela está até chateada comigo, porque acha que eu não fiz o pedido. Por favor, eu estou humildimente pedindo. Pode até ser uma matéria pequena ( Só que tem que ter foto). Escolhe uma bem bonita dele! Minha avô já é uma senhora idosa e é amarradona por ele desde os tempos em que ela era jovem. Conto com a sua generosidade!

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