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25.12.09

O último ano de vida de Judy Garland e mentiras da família

No seu último aniversário, Judy Garland estava sozinha.

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Sua carreira no cinema já havia declinado há anos, e ela sobrevivia fazendo alguns shows. As dívidas se acumulavam aos montes, o quinto casamento ia de mal a pior.

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Segundo a biografia de David Shipman (Judy Garland: A primeira biografia completa), ela ainda alimentava sonhos: queria ser uma estrela da Broadway!

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Mas o tempo era curto já então. Problemas com alcoolismo, depressão que a acompanhou por toda a vida e medicamentos, fizeram com que se tornasse uma pessoa instável. Mesmo assim ela tentava. E assim foi filmada para o triste documentário “A Day in the Life of Judy Garland”, projeto do seu então marido-playboy Mickey Deans. De tão ruim que era, não houve ninguém que se interessasse pelo projeto, que chegava a mostrar algumas cenas dela bêbada e nua.

 

Triste sob vários aspectos, mostrava uma Judy que mal cabia dentro de um corpo delicado e frágil.

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Judy também sofria, pelo desprezo dos filhos. Sim. Liza Minelli dera ordens expressas para que não lhe passassem mais ligações da mãe. Lorna e Joey eram ausentes.

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Mas eles reapareceram! Sim, reapareceram quando souberam da morte da mãe. Liza teve a sensatez de pagar o funeral, e Lorna Luft lançou um livro de memórias fantasiosas onde dizia que ela cuidava da mãe a ponto de adoecer e ser tirada de sua guarda pelo bom pai Sidney Luft. O mesmo que explorou sua mãe anos antes, quando ainda era seu empresário.

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De repente a mãe era amada e podia lhe render alguns trocadinhos. Os direitos de seu livro foram vendidos e viraram um filme para a TV chamado “Me and my Shadows”.

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No livro/filme, Lorna relata que os filhos ligaram para a mãe no dia de seu aniversário. Juntos, sorridentes! E que ela estava bem.

Mentira. Judy morreria 12 dias depois, em um banheiro. O corpo exausto, e sem forças para lutar contra o vício que carregava há anos: remédios.

Fico a me perguntar em que determinado momento a garotinha do Kansas começou a morrer dentro dela. E ainda a vejo assim, tão pura e cheia de sonhos:

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Quanto a seus filhos, cada qual tomou seu rumo. Liza tornou-se uma das maiores cantoras do nosso tempo, Joe é um obscuro fotógrafo. Lorna? Uma atriz e cantora frustrada, que vive a regravar as músicas de sua mãe.

2 comentários:

Magda Miranda disse...

Lorna Luft queria "vender seu peixe" e contar a verdadeira história, mergulhar na realidade da família naquele momento não interessaria a leitores e expectadores. Ela queria realmente mostrar essa irrealidade da que levaria a mãe nas costas... mostrar o lado sempre e doce e terno dos filhos da Judy.

Para uma estrela do quilate de Judy Garland todo o seu drama pessoal deveria desmoronar-lhe por dentro. Não era fácil administrar o fracasso, o vício e ao mesmo tempo ter sonhos. Ela era e sempre será o rostinho vivo, a vivacidade e o talento.

SÔNIA disse...

É difícil crer que a Judy que até hoje é admirada por sua voz e talento tenha sido vítima do álcool e das drogas. Ela caiu em um "círculo vicioso" e infelizmente não consegui sair...simplesmente porque ela um ser humano de carne e osso. Depressão nem era uma palavra muito utilizada naquela época. Dependência química ainda era um tabu na década de 60. Deveria ser muito difícil encontrar ajuda... um refúgio para se livrar de tudo isto. Uma pena que o último Natal de Judy tenha sido tão triste....
E não vamos julgar seus filhos. Liza, Lorna e Joe deveriam amá-la mesmo ela tendo tantos problemas. Eles só não sabiam como ajudá-la. Só que passa por isso é que sabe...

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