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1.1.10

Adivinhe quem vem para jantar? Um filme datado?

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Adivinhe quem vem para jantar (Guess Who's Coming to Dinner, 1967) é contantemente indicado como um filme datado por seu tema. Uma jovem leva seu novo namorado, um respeitado doutor e negro, para apresentar a família. Todos parecem se chocar com a simples visão dos dois juntos. A reação deles parece com a que alguém teria se eu levasse um cabide de roupas e apresentasse como meu parceiro de vida. Trazendo o filme para o nosso tempo, ficamos meio sem entender as atitudes dos pais da moça e, principalmente de seus sogros que ficam chocados com a notícia. E mais: o pai quase desesperado. Deem-lhe tempo: a notícia é dada pela manhã e a noite eles já pretendem se casar...

Devine qui vient diner ce soir
Guess who's coming to dinner
1967
real : Stanley Kramer
Spencer Tracy
Sidney Poitier

COLLECTION CHRISTOPHEL

Quando me dizem que o filme é datado eu me questiono. Mas será que hoje é tão diferente daquele tempo? Tirando a questão legal da coisa, pois eles ainda vivem em um país de segregação racial, onde alguns estados ainda proibem o casamento racial. Mas, tirando isso, há muita diferença? Ainda não causa ou é questão de piadinhas um relacionamento neste nível? Claro que não ao ponto de mães chorarem desesperadas com o fim iminente de um sonho ou pais ameaçarem se atirar de um prédio. Não. Neste ponto, viva a hipocrisia atual, em que pelo menos, disfarça-se sentimentos idiotas em nome do politicamente correto. As pessoas evitam falar o que pensam por medo. Que bom! Como diz uma amiga minha: tratem-me bem falsamente, mas me tratem bem. Quer ser sincero quanto a isso? Seja com seu espelho. Preconceito disfarçado de sinceridade cai-me tão bem quanto jaca pela manhã.

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O filme é recheado de ótimos diálogos, como o que o Dr. John Wade Prentice tem com seu pai. O pai exige seu respeito, pois trabalhou para que ele se transformasse no homem culto que é. O filho lhe responde que o que ele fez foi sua obrigação, obrigação de um pai que coloca o filho no mundo, e que não pode dar amor exigindo sua troca quando adulto, e que ele também terá essa obrigação com seu filho. Ele termina, dizendo que o grande erro de seu pai é que ele se vê como um homem negro ao passo que o filho enxerga-se e é um Homem. Apenas um homem, sem distinção de cor, e baseando sua vida na dignidade que qualquer ser humano deve ter.

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Talvez o que mais chame a atenção é o discurso colocado na boca da empregada da família: um mulher negra e amável, com quem eles conviveram durante 22 anos, e que não entende como sua garotinha linda e branca se interessa por alguém de sua raça. A resposta da garota vem prontamente: se eu sou capaz de amá-la, porque não a ele?

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O preconceito é algo que se renova com as gerações. Nasce com a reação de crianças com os amiguinhos diferentes em seu meio, passando a um nível maior quando adultos. Sinceramente não sei até que ponto nós nascemos com ele ou desenvolvemos. Com a palavra, os estudiosos sobre o assunto.

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Fiquei a imaginar uma versão moderna da história. Não o reverso apresentado em 2005 com "Guess Who", em que a moça é negra e o rapaz não. Esse preconceito ao reverso não me agrada. Aliás, nenhum deles. Soa como uma vingancinha e creio que até alguns brancos (brancos?) sintam-se bem com isso, pois mostra uma espécie de redenção, uma ida à farra daqueles a que ele segregou, e, portanto, uma chance dele apontar o dedinho e dizer: tá vendo, eles são iguais a mim. Não. Imaginei algo como um rapaz levando seu noivo para conhecer sua família e todos se chocando. Ou hipocritamente agindo como se isso não os abalasse. É disso que precisamos. Um preconceito por vez. Ultrapassada a questão racial, tratemos agora da sexual. Creio que precisamos de filmes assim, que nos façam questionar nosso comportamento diante do outro, que sempre será diferente de nós, não importa a cor, a idade, a sexualidade ou região onde teve a sorte ou azar de nascer.

2 comentários:

Sônia disse...

É um ótimo filme para ser assistido. Tem um excelente elenco e o Sidnet Poitier bem que podia estar no seu blog numa matéria.

Beijos

Magda Miranda disse...

Acho até que o título do filme bem que poderia ser outro. Gostei muito do seu texto.

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