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19.3.10

Rubens Ewald Filho, sobre o livro biográfico de Paul Newman

Paul Newman

A imprensa marrom ainda vive e continua passando bem nos Estados Unidos e Inglaterra. O apelido veio porque sua origem eram tabloides que eram impressos com tinta dessa cor (e não por ser um xingamento!).

São os famigerados fotógrafos chamados Paparazzi (nome primeiro usado em La Dolce Vita de Fellini em 1960, ou seja Mosquitos, por que eles vivem de correr atrás de celebridades para pegar flagrantes escandalosos, ou seja perturbando como mosquitos).

Moda que hoje floresce em Los Angeles e Nova York, e nada tem a ver com os fotógrafos de sites e revistas brasileiros, que são mais educados e gentis do que seu similar americano (curiosamente a maior parte dos paparazzi de Hollywood são brasileiros e não têm o menor escrúpulo). Felizmente nada a ver.

Tudo acontece porque nos EUA existe uma lei que contempla a figura de pessoa pública. Se você é famoso, aparece na televisão ou é político, isso lhe tira o direito de ter vida privada.

Ou seja, podem escrever o que quiser sobre você, desde que seja de conhecimento público (cabe-lhe processos por difamação ou injúria, mas apenas quando invadem certas áreas que a pessoa nunca abriu).

No Brasil não é assim (nem na França), mesmo que famoso, o indivíduo continua a manter seus direitos individuais. Vejam o caso do livro não autorizado sobre Roberto Carlos que foi recolhido mesmo sendo favorável ao biografado.

E o mais famoso ainda de Garrincha, escrito por Ruy Castro, que ficou anos em julgamento. Ou seja, não existe biografia não autorizada, a pessoa ou seus herdeiros e famílias têm que concordar com o livro. Se  não,  não pode ser editado.

Isso causa problemas para a própria verdade histórica, só sairão então o que a família liberar e desejar, escondendo mesmo fatos históricos. E tudo, inclusive fotos, tem que ser liberadas pelos autores e pessoas que aparecem.

Uma incrível dor de cabeça para os editores de livros.

The Man behind the Baby BluesPorém os excessos de liberdade são igualmente indesejáveis.

Quando a pessoa famosa morre nos EUA, não há mais recurso, você pode publicar um livro inteiramente falso, mentiroso sobre ela, que a família nada poderá fazer.

Por exemplo, disseram que Errol Flynn era espião nazista e ficou por isso mesmo.

Agora publicaram um livro sobre Paul Newman, um grande benfeitor (ele doou tudo que ganhou na sua linha de produtos naturais para a caridade, tudo:  não guardou nada para si) e que tinha imagem pública impoluta.

Mas como morreu, apareceu um sem vergonha chamado Darwin Porter, que se especializa em publicar livros marrons, como este The Man behind the Baby Blues, His Secret Life Exposed, Edição da BloodMoon Prod. (pode ser adquirado pela Amazon).

Ele já tinha feito algo parecido com Marlon Brando, mas este era famoso como pansexual e transgressor, e isso só contribuiu para sua imagem de maluco genial.

O alvo do livro é basicamente dizer que Paul era bissexual e  teve romances longos e duradouros com todos os outros bi de Hollywood em sua época.

Que teriam sido James Dean, Anthony Perkins, Robert Francis e pasmem, Steve McQueen (em todos os casos eram amizades coloridas). Não falam dos ainda vivos como Robert Redford e Tom Cruise, porque poderiam provocar processos indesejáveis.

Mas o livro insiste que Newman era uma máquina de fazer sexo e que ao chegar em Hollywood fez uma lista de quem queria fazer sexo. Todas as mulheres que haviam sido ídolos dele.

E foi preenchendo de Lana Turner, a Ava Gardner, Joan Crawford e Marilyn Monroe (com esta teria sido íntimo e próximo) e praticamente todas suas co-estrelas (inclusive Píer Angeli que dividia com Dean).

Tudo isso baseado em pseudo testemunhos de pessoas que também já morreram, como Janice Rule, Earth Kitt, Rod Steiger, Vampira, ou seja, que não podem dizer nada mais, comprovando ou não as informações.

O fato é que  o sr. Darwin é péssimo escritor, inventando diálogos e situações que nunca poderia ter testemunhado, como mera oportunidade de entregar mais gente ainda.

Quase uma enciclopédia da vida sexual de Hollywood nos anos 50 a 70, porque para por aí, com a morte por drogas do filho de Paul, depois de uma sequência que não ousou descrever que chega aos limites da grosseria.

É um projeto de tão mau caráter, tão desonesto que cheguei a ficar envergonhado de ter comprado o livro, até com a desculpa de ser sempre bem informado.

Mas não passa de literatura da pior espécie, que só serve mesmo para o lixo.

 

Post Original no blog do R7

2 comentários:

Júnia L. disse...

Já havia lido algumas criticas sobre esta biografia sem vergonha, me dá uma raiva disso

Sônia disse...

Tem muita biografia que nem merece ser lida e parece que esta é uma dessas. LIXO PURO...COISA SENSASIONALISTA para vender.

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