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16.4.10

Hoje é dia de Charles Chaplin

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My Dear Chaplin,

Hoje de qualquer maneira você não estaria entre nós. Fazem 121 anos que você nasceu. 32 anos que não está mais entre nós. De infância miserável, vivendo entre bicos, instituições de caridade, pai ausente e mãe com problemas mentais, não foi fácil. Você poderia ter se transformado em um lamentador eterno, como tantos que topamos pela vida e que perguntamos porque não há atitudes que os faça se erguer e tentar sobreviver ao caos. Poderia, mas não o fez.

Tampouco era o ser perfeito eternizado nas telas ou nas frases soltas que circulam entre mãos. Era um homem, com seus problemas, seus traumas, suas dificuldades e um toque de bondade que todos nós temos. Na vida não há vilões e mocinhos, mas pessoas que podem ser as duas coisas em momentos distintos da vida.

Você soube canalizar as experiências de tal forma que se alguém hoje não sabe quem você foi, conhece sua imagem. Desenhe um chapéu coco, um bigode e uma bengala. Sabemos que é você.

Chaplin, hoje já não consigo distinguir onde começou minha paixão por você. Por causa dela eu amei o cinema, eu fui em busca de outros mestres que talvez fossem tão bons quanto meu vagabundo. Por sua causa eu criei este blog, criei outro, criei o site cinema clássico. Por sua causa eu chorei vendo algumas cenas de filmes, e ri em tantas outras. E embarquei em viagens e gostos que as pessoas muitas vezes não entendem. E conheci pessoas e me neguei a discutir arte quando diziam que você era inferior ou superior a alguém.

Você é de longe a pessoa que eu não conheci, mas que desejaria somente um minuto de visão. Te vejo velhinho, bengala ao lado da cadeira de rodas, mãos enrugadas, respiração curta. Vejo teus olhos azuis envelhecidos mirando os meus. Parecem perguntar o que tenho a dizer. Nada dizes. Calas. Eu também. Manias de um velho ator de pantomina. Vejo-me a abaixar-me e a pegar tuas mãos frágeis. Entre um suspiro e uma gratidão, vejo-me dizendo-te, com a linguagem dos olhos, aquela que só o coração entende: amigo, irmão, companheirinho, obrigado por fazer parte de mim.

 

Carla Marinho

16/04/2010

4 comentários:

Ricardo Steil disse...

Chaplin conseguiu o que todos nós, os artistas em geral,sonham: plantar sentimentos, não palavras. Ele era único. Mas é preciso que os gênios também partam para que nos instigue a seguirmos seus passos. Lindo Carla, você soube transmitir em palavras,não o ator, não o diretor, não o homem que foi Chaplin, mas, a luz que ele foi no mundo. Mil beijos. Te adoro. Tua amizade vale mais que todos os livros do mundo, discos e filmes do mundo, e que os beijos da Andrea Corr.

Lyn disse...

Me identifiquei muito com o texto. Você colocou em palavras muito do que sinto. Chaplin é incrivelmente importante para mim. Passei a realmente gostar de cinema, depois que caí de amores por ele. Obrigada por esse texto maravilhoso e emocionante.

Sônia disse...

O Chaplin é uma referência para todos que gostam da sétima arte. Um exemplo de artista e de pessoa. Uma bela homenagem a este grande ser humano.

E a Debbie Reynolds Carlinha? Tô esperando ela no seu blog.

M. disse...

Que texto lindo sobre Chaplin, arrancou-me lágrimas dos olhos. E lembro de você desde os nossos aúreos tempos de universidade nessa adoração por Chaplin.

Charles Chaplin, a você onde estiver, meus votos de um Parabéns por tudo, não só pelos seus 101 anos, se os tivesse. Mas pelo muito que nos presenteou em sua vida gloriosa.

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