Seguidores

21.7.10

Livro: COMO A GERAÇÃO SEXO-DROGAS-E-ROCK'N'ROLL SALVOU HOLLYWOOD

538325_0_5

Eu quero!

Olha a resenha que encontrei sobre esse livro (que está à venda na FNAC):

Livro invade a privacidade do cinema em Hollywood
Publicado em 28.06.2010, às 10h45
Ernesto Barros ebarros@jc.com.br

Apesar de lançado com mais de 10 anos de atraso no Brasil, Sexo, drogas e rock´n roll - A geração que salvou Hollywood, de Peter Biskind, preencheu uma lacuna significativa na estante dos amantes da sétima arte. Pela primeira vez, um livro-reportagem sobre os bastidores da meca do cinema foi além de fatos corriqueiros ao invadir a privacidade de diretores, produtores, astros e estrelas que modificaram a indústria cinematográfica a partir do final dos anos 1960. Como o apimentado relato deixou um gostinho de quero mais, a Editora Agir foi esperta ao lançar Os bastidores de Hollywood na Vanity Fair, que reúne 10 reportagens sobre filmes marcantes do cinema americano publicadas na revista entre 1999 e 2008.
O livro, organizado pelo editor da Vanity Fair, Graydon Carter, é bem dosado em sua divisão. A década de 1950, já com a crise se instalando em Hollywood, ganha ensaios sobre clássicos como A malvada (All about Eve, 1950), de Joseph L. Mankiewicz, Juventude transviada (Rebel without a cause, 1955), de Nicholas Ray, e A embriaguez do sucesso (Sweet smell of success, 1957), de Alexander Mackendrick. Ainda da mesma década comparece a desconhecida comédia Sob o signo do sexo (The best of Everything, 1959), do romeno Jean Negulesco.
Da década de 1960, já com Hollywood vivendo a nova ordem da produção independente, entram na lista a superprodução Cleópatra (1963), de Joseph L. Mankiewicz, A primeira noite de um homem (The graduate, 1967), de Mike Nichols, Primavera para Hitler (The producers, 1968), de Mel Brooks, e Perdidos na noite (Midnight cowboy, 1969), de John Schlesinger. Das décadas de 1970 e 1980, apenas dois filmes ganharam reportagens: Os embalos de sábado à noite (Saturday night fever, 1977), de John Badham, e Reds (1981), de Warren Beatty.
Peter Biskind, por sinal, assina reportagens sobre Perdidos na noite e Reds, dois filmes da Nova Hollywood. Um pouco como Kenneth Anger no seminal Hollywood Babylon, foi Biskind quem introduziu o gosto por histórias sensacionalistas como mais um elemento importante entre as relações de poder em Hollywood. De certa forma, é a busca pela informação correta, às vezes impedida de vir a luz em virtude da hipocrisia vigente em cada época, a grande sacada dos ensaios.

 


O autor aponta a revolução provocada durante a 42ª cerimônia do Oscar, na primavera de 1970, quando Perdidos na noite ganhou as estatuetas de melhor filme, diretor e roteirista (Waldo Salt). Até então, nenhum filme com censura X (não confundir com X-rated, que seria aplicado aos filmes pornôs de 1973 em diante) ganhara o prêmio máximo da Academia. Para Biskind, o sucesso de Perdidos na noite assinalava “simbolicamente a troca do poder da Velha Hollywood para a Nova Hollywood”. Já em Reds, o autor considera o filme como o último respiro da geração que mudou Hollywood. Com suas mais de três horas de duração, esta saga sobre John Reed, o mais esquerdista dos jornalistas americanos do início do século 20, cujo corpo está enterrado no Kremlin, ainda hoje suscita perguntas sobre sua realização, que muitos consideram incompreensível. Na mesma época, outra superprodução, o western O portal do paraíso, foi atacado pela crítica pelo alto orçamento e entrou para a história como um dos maiores fracassos de Hollywood, levando à falência o estúdio United Artist.
No entanto, são as reportagens dedicadas aos clássicos dos anos 1950 que trazem mais novidades, principalmente porque os jornalistas tiveram acesso aos arquivos dos estúdios e a fontes que nunca tinham ido tão fundo em suas memórias mundanas. No capítulo dedicado ao clássico A malvada, o autor Sam Staggs teve acesso a material inédito, guardados nos arquivos da Fox, para cascavilhar este que é considerado o ápice da carreira de quase todos os envolvidos no filme, como o diretor Joseph L. Mankiewicz e os atores Bette Davis, George Sanders, Anne Baxter, Thelma Ritter e Hugh Marlowe. Para a novata Marilyn Monroe, aparecer numa pontinha como uma acompanhante num filme detentor de seis Oscar a ajudou sobremaneira a ascender na carreira.

A VELHA MÁ - Mas são os detalhes extra-filme, geralmente sórdidos, que fazem a leitura valer a pena. A estrela mais em evidência, naturalmente, é Bette Davis, que interpreta a personagem principal de A malvada, Margo Channing. Por isso, abundam histórias sobre a estrela. A forma como Mankiewicz chegou à voz dela é muito interessante. Como Davis apareceu no set com a voz rascante, devido a uma briga com o marido (que logo se casaria com a babá da filha deles), o diretor disse que queria aquele tom cavernoso para a voz de Margo Channing. Assim, ela ficou a filmagem inteira com a voz de contralto carregada causada pelo rompimento de um vaso sanguíneo da garganta.
Apesar de estar numa posição privilegiada em A malvada, a carreira de Bette Davis não vinha nada bem. Estava mesmo em declínio. Após uma briga com ela, Darryl Zanuck, o todo poderoso produtor da Fox, jurou que ela nunca mais cruzaria as portas do estúdio. Mas, quando o roteiro chegou às suas mãos, Zanuck não viu outra alternativa senão convidar a atriz, que confirmou ser a escolha perfeita para o papel. Marilyn foi a principal vítima de Bette Davis, que dizia para todo mundo ouvir as frases mais difamantes sobre a jovem atriz. “Essa vagabundinha loura pensa que sabe atuar, e que basta sacudir o traseiro e sair arrulhando para roubar a cena. Como está enganada.” Anos depois, para se defender, Marilyn confidenciou à amiga Joan Collins, que fora companheira de Bette Davis no filme A rainha tirana: “Essa mulher odeia qualquer criatura do sexo feminino que seja capaz de andar com as próprias pernas. É mesmo uma velha má”.

BISSEXUAL - Sobre o seminal Juventude transviada, que mostrou ao mundo o poder da juventude na pele da turma chefiada por James Dean, as informações são mais esclarecedoras sobre o diretor Nicholas Ray. A principal delas é a confirmação da não muito conhecida bissexualidade do diretor, que durante o filme foi amante da adolescente Natalie Wood e do roteirista, mais tarde crítico e escritor, Gavin Lambert. Lambert contou a história do seu envolvimento com Ray para filha do cineasta, Nicca, que estava querendo escrever um livro sobre ele. “Antes de passarmos ao que interessa, acho melhor revelar algo: Nick e fomos amantes ocasionais numa certa fase. E ela respondeu: ‘Eu já imaginava’, o que eu achei de um despreendimento maravilhoso”.
Despertada sexualmente, Natalie Wood engatou logo um namoro com Dennis Hopper, que fazia parte da turma de James Dean ao lado de Sal Mineo. Hopper disse mais tarde: “Eu vinha de uma família de classe média muito convencional em San Diego (...) e estávamos na década de 1950, quando garotas que tinham acabado de completar 16 anos simplesmente não faziam coisas assim”. Para livrar o nome de Natalie, a mãe dela, Maria Gurdin, queixou-se à Warner, mas sem fazer qualquer referência ao diretor. A bomba foi acabar nas mãos de Hopper. “O estúdio veio em cima mim, e ele (Ray) apareceu na história toda como um anjinho”. Por outro lado, Lambert não é nada sutil quando define o amigo: “Nick muitas vezes se sentia fisicamente atraído por mulheres, mas não gostava delas. Tenho para mim que se ressentia dessa atração”.

 

Quem quiser comprar, tem na FNAC. CLica aqui

Um comentário:

M. disse...

Eu já tinha visto esse livro, dizem que é uma excelente leitura.

Related Posts with Thumbnails